A Candida auris tem preocupado controladores de infecção devido sua resistência aos antifúngicos de primeira escolha (ex. fluconazol), sua alta letalidade e colonização cutânea persistente na pele e em superfícies fixas, facilitando a ocorrência de surtos em instituições de saúde, cujo laboratório está capacitado para identificar este agente. Para seu controle é necessária além da higienização das mãos, sua descolonização associada a desinfecção ambiental. Entretanto, poucos estudos foram especificamente feitos com este agente infeccioso. Este estudo foi feito para avaliar a ação de antissépticos e desinfetantes em suspensão contra este agente.

Amostras de Candida auris isoladas em vários países e de C. albicans (para comparação) foram cultivadas em agar Sabouraud e realizado o teste de diluição com neutralizantes adequados contra os seguintes antissépticos e desinfetantes: cloro a 1.000 ppm, PVPI aquoso a 10%, clorexidina alcoólica a 2%, clorexidina degermante a 4%. O tempo de contato foi de 5 minutos para os desinfetantes e 2 minutos para os antissépticos.

Independente da presença de sujidade, o cloro e o PVPI conseguiram reduzir a níveis indetectáveis todas as cepas de C. auris testadas. O PVPI falhou com a C. albicans em dois minutos de contato.  A eficácia de clorexidina depende de sua formulação. A clorexidina alccólica a 2% e degermante a 4% foram eficazes, porém a clorexidina a 2% (diluição de 50% do produto a 4%) não foi ativa contra essas cepas de Candida, independente da espécie. A presença de sujidade afetou a eficácia da clorexidina para C. auris, sem afetar sua ação contra C. albicans.

Segundo os autores, estes estudos ratificam a importância da desinfecção ambiental com derivados de cloro a 1.000 ppm, se aplicados de forma adequada e em equipamentos e superfícies que suportem esta concentração. Por outro lado, a aplicação de clorexidina alcoólica em concentração inferior a 2% ou degermante em concentração inferior a 4% pode não ser eficaz na descolonização das mãos, sob as condições práticas de uso (tempo de contato de no máximo 2 minutos).  Além disso, os estudos comprovaram resistência diferenciada aos germicidas quando comparadas as cepas de Candida auris com a padrão de C. albicans, devendo assim ser revista a determinação oficial dos testes oficiais para aprovação de germicidas com ação antifúngica. Assim a melhor ação germicida foi obtida com os derivados de cloro, PVPI e clorexidina alcoólica, nas concentrações testadas, respectivamente, 1.000 ppm, 10% e 2%/70%.

Os autores reconhecem as limitações para transpor testes in-vitro de suspensão quantitativa para as condições práticas de uso no ambiente hospitalar. Soluções eu uso no hospital podem ser empregadas em concentrações de princípios ativos menores que as daquelas abertas recentemente com foram testadas, devido condições de estocagem após aberto o frasco. Os produtos são testados contra cepas planctônicas e não em biofilmes, que são habitualmente mais resistentes a ação dos germicidas. Além disso, a conhecida ação residual da clorexidina também não pode ser avaliada pela metodologia avaliada. Entretanto, este estudo reforça a importância da desinfecção ambiental com derivados do cloro, questiona a efetividade de algumas formulações da clorexidina e indica a necessidade de estudos adicionais sobre efeitos da ação residual destes produtos e da importância das diversas formas de aplicação de desinfetantes ambientais.

 

Fonte: Moore, Ginny et al. The yeasticidal activity of chemical disinfectants and antiseptics against Candida auris. Journal of Hospital Infection (a ser publicado)

http://www.journalofhospitalinfection.com/article/S0195-6701(17)30463-2/abstract

Resenha por: Antonio Tadeu Fernandes.