A exposição ocupacional a sangue ou fluidos corporais é um problema comum entre estudantes de Odontologia e cirurgiões-dentistas (CDs) e subnotificação dos casos é alta. Este estudo interpretativo qualitativo teve como objetivo verificar as percepções acerca do acidente sofrido, bem como os procedimentos realizados pós-exposição ocupacional a material biológico contaminado, entre um grupo de estudantes de Odontologia e cirurgiões-dentistas.

Este estudo transversal de amostragem por conveniência e do tipo não probabilística foi realizado na cidade de Araraquara-SP, Brasil, a qual possui o campus da Univ. Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (UNESP). Ao total, 25 estudantes do curso de Odontologia e 40 CDs participaram da pesquisa. Entrevistas qualitativas semi estruturadas foram realizadas individualmente e registradas em um gravador de voz. As respostas foram transcritas, tematicamente codificadas e analisadas através do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Entre os CDs, a percepção quanto ao risco ocupacional individual foi baixa.

Houve imprudência na notificação e pouca preocupação quanto à rotina a ser praticada após o acidente. Entre os estudantes, o medo de contrair doenças foi frequente e relataram preocupação em realizar testes sanguíneos, após o contato com material biológico contaminado. No entanto, tal conhecimento não mostrou um impacto positivo no comportamento pós-exposição ocupacional, porque muitos alunos não notificaram seus acidentes.

Houve baixa conformidade com os protocolos a serem seguidos após acidente com material biológico contaminado e baixa notificação dos casos entre os profissionais e os estudantes de Odontologia e entre os motivos relacionados às crenças estavam a baixa percepção do risco ocupacional. Instituições oficiais, serviços públicos de saúde, associações de saúde ocupacional e universidades devem melhorar as estratégias de ensino para melhor alinhar as percepções de risco e nortear o processo de tomada de decisão, em relação à notificação de acidentes com risco biológico.

 

Autora: CAMILA PINELLI