A ANVISA lançou uma nota técnica com “Práticas seguras para prevenção de Lesão por Pressão em serviços de saúde”. De acordo com o Relatório nacional de incidentes relacionados à assistência à saúde, notificados ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária no período de janeiro de 2014 a julho de 2017, dos 134.501 incidentes notificados, 23.722 (17,6%) corresponderam às notificações de lesões por pressão, sendo, durante este período, o terceiro tipo de evento mais frequentemente notificado pelos Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) dos serviços de saúde do país. Quanto aos óbitos notificados ao SNVS (766), no mesmo período, 34 pacientes foram a óbito devido à lesão por pressão.

Essa Nota Técnica objetiva: 1) orientar gestores e profissionais que atuam nos NSP dos serviços de saúde para as medidas gerais de vigilância e monitoramento de eventos adversos relacionados à assistência, incluindo lesão por pressão; 2) orientar profissionais do NSP e da assistência na promoção das práticas seguras de prevenção de lesão por pressão em serviços de saúde e 3) reforçar as informações e ações referentes à vigilância, monitoramento e notificações de eventos adversos relacionados à assistência, em especial das lesões por pressão, às instâncias que compõem o SNVS.

Os óbitos e “never events” ocorridos nos serviços de saúde devem ser investigados imediatamente pelo SNVS, conforme estabelecido pelo Plano Integrado para a Gestão Sanitária da Segurança do Paciente. São considerados “never events” relacionados às lesões por pressão e passíveis de notificação ao SNVS pelos NSP: lesão por Pressão Estágio 3: Perda da pele em sua espessura total, na qual o tecido adiposo é visível sem exposição de fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem e/ou osso; e lesão por pressão Estágio 4: Perda da pele em sua espessura total e perda tissular com exposição ou palpação direta da fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso.

As medidas para prevenção de lesão por pressão em serviços de saúde envolvem as ações abaixo e o registro em prontuário: Realização de avaliação de risco de todos os pacientes antes e durante a internação; Realização de avaliação criteriosa da pele pelo menos uma vez por dia, especialmente nas áreas de proeminências ósseas (joelhos, cotovelos e calcanhares) e pelo menos duas vezes por dia nas regiões submetidas à pressão por dispositivos, como cateteres, tubos e drenos; Uso de colchão especial, almofadas e/ou de coxins para redistribuir a pressão;  Uso de apoio (travesseiros, coxins ou espumas) na altura da panturrilha, a fim de erguer os pés e proteger os calcanhares; Manutenção da higiene corporal, mantendo a pele limpa e seca; Hidratação diária da pele do paciente com hidratantes e umectantes; Manutenção de ingestão nutricional (calórica e proteica) e hídrica adequadas; Uso de barreiras protetoras da umidade excessiva, quando necessário, como, por exemplo: creme barreira, película semipermeável, espuma de poliuretano, sacos retais e/ou substâncias oleosas; Mudança de posição a cada duas horas para reduzir a pressão local; Orientação do paciente e da família na prevenção e tratamento das lesões por pressão.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes