Os autores realizaram uma revisão sistemática (língua inglesa, MEDLINE e EMBASE) para estudar a associação entre a contaminação do sistema de água hospitalar e colonização e infecção dos pacientes, intervenções que possam reduzir essa contaminação, aspectos do sistema que atuam como reservatórios, reflexos da redução da contaminação do sistema sobre a colonização e infecção dos pacientes e o papel de outras medidas como higiene das mãos e o gerenciamento da prescrição de antimicrobianos.

Existem apenas sete estudos que  associam a contaminação do sistema com colonização ou infecção por Pseudomonas, porém existem poucas evidências sobre a forma de transferência do agente para os pacientes, sendo postulada a contaminação das mãos e posterior preparo de dieta enteral ou contato com os pacientes. Foram encontrados 11 estudos sobre intervenções para reduzir a contaminação do sistema de água, sempre empregadas num pacote de medidas para controle de surtos, dificultando a sua avaliação individualizada. As principais intervenções foram: evitar o uso de água, troca de acessórios, desmonte, limpeza e desinfecção com cloro, peróxido de hidrogênio, autoclavação ou aumento da temperatura da água da porção distal do sistema (ex. torneiras, chuveiros, etc), hipercloração da água (2,7 mg/l) e instalação de filtros.

Foram selecionados dois artigos que discutem o que favorece a contaminação do sistema de água e foram implicadas as torneiras não toque com válvulas magnéticas contaminadas em biofilmes e banheiras de hidromassagem, contaminadas pelos pacientes. Vários estudos sugerem colonização dos pacientes pelo uso de água contaminada principalmente durante banho, higiene oral e dieta enteral. Inúmeras medidas são empregadas simultaneamente para reduzir esta colonização, destacando: precauções de contato, soluções alcoólicas para higiene das mãos, beber só água estéril, suspensão de dieta enteral e dos cuidados com água potável da face e cavidade oral. Foi difícil avaliar o impacto isolado dessas medidas. A contaminação das pias parece ser consequência de lavar mãos e artigos contaminados, com poucas evidências de seu papel na cadeia epidemiológica. A contaminação das torneiras é difícil identificar se ocorreu antes ou depois da sua utilização pelos profissionais de saúde, dificultando também medir seu impacto na cadeia epidemiológica. A formação de biofilmes é facilitada por válvulas construídas com material plástico, borracha ou PVC.

Finalizando os autores concluem pela necessidade de estudos melhor desenhados para dar evidências mais consistentes sobre o problema estudado.

 

Fonte: Journal of Hiospital Infection 86 (2014): 16-23.

Resenha por: Antonio Tadeu Fernandes


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