A endocardite infecciosa relacionada à assistência à saúde (EIRAS) é definida como a endocardite que ocorre 72 horas após a hospitalização ou que se manifesta 4 a 8 semanas após a alta hospitalar, quando um procedimento invasivo foi realizado nessa internação. Possui relevância na prática clínica em virtude de sua elevada morbi-mortalidade.

O objetivo do presente estudo foi descrever a prevalência, características demográficas, epidemiológicas, clínicas, bem como os desfechos dos pacientes com EIRAS em 12 pacientes consecutivos internados no Hospital de Clínicas de Vitória/ES entre 2003 e 2005. Dentre 41 pacientes com endocardite infecciosa analisados no período, 12 (29,2%) tiveram infecção relacionada à assistência à saúde. A idade média foi de 54 + 18 anos e 42% eram do sexo masculino.

Onze pacientes (92%) apresentaram diagnóstico definido de endocardite. Metade dos pacientes apresentaram infecção por Staphylococcus aureus. A valva acometida era nativa em 75% dos casos e nos outros 5% a infecção ocorrer em prótese valvar. As valvas mais acometidas foram a aórtica e mitral em 41,7% e 33,3% dos casos, respectivamente. Dois casos (16,7%) foram tratados cirurgicamente. A mortalidade da coorte foi de 50%. Concluindo, observamos número elevado de casos de endocardite infecciosa relacionado à assistência à saúde.

O espectro microbiológico envolvido foi representado principalmente pelo S. aureus e isso deveria ser levado em consideração na prescrição de terapia empírica para casos suspeitos de EIRAS. A mortalidade nessa coorte foi elevada, porém de acordo com o reportado pela literatura mundial. O percentual de cirurgias cardíacas realizadas na coorte está dentro do reportado pela literatura mundial.

A tendência atual tem sido a utilização cada vez maior dessa modalidade terapêutica, no sentido de se buscar redução da mortalidade. Finalmente, diante da suspeita clínica, devem-se colher hemoculturas ao menos 3 amostras), realizar ecocardiograma e iniciar empiricamente antibióticos até definição diagnóstica.

 

Autor: Rodrigo Leal Silva Bussular

 


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