A lavagem das mãos é a mais importante medida de controle de infecção. No entanto, os profissionais de saúde não realizam este procedimento nem com a frequência e nem com a técnica recomendada. Estudos mostram que as mãos são lavadas menos da metade das vezes em que seria necessário e os médicos são os que menos aderem a esta recomendação. Também foi comprovado que os profissionais com maior carga de trabalho e que atendem os pacientes mais graves realizam menos a higienização das mãos.

Joint Commission enfatiza a importância de envolver pacientes para estimular a higienização das mãos dos profissionais de saúde. Estudo americano relatou que 70% dos pacientes têm consciência do risco de infecção e 57% aceitariam contribuir para um programa efetivo de controle. Trabalho mais recente identificou que 95% dos pacientes sabe da importância da higienização das mãos na prevenção da infecção hospitalar.

A equipe do Hospital Oxford-Radcliffe do Reino Unido, instituiu um programa “parceiros na sua assistência”, procurando incentivar a responsabilidade do paciente com a sua saúde, no qual eles estimulavam a equipe de atendimento a lavar as mãos, ao prestar atendimento.

Inicialmente, os profissionais receberam uma carta da direção do Hospital divulgando o programa, estimulando-os a apoiá-lo. Os pacientes receberam visita do enfermeiro do controle de infecção no dia da admissão, para explicar a importância da higiene das mãos na prevenção das infecções hospitalares. Também foram distribuídos texto explicativo e cartaz com o título da campanha, e com os dizeres em destaque: você lavou suas mãos? Eles foram estimulados a fazer esta pergunta a todos os profissionais de saúde que tivessem contato com eles. Duas semanas após a alta, o controle de infecção telefonou para os pacientes perguntando se tinham lido o material educativo, se compreenderam a importância da lavagem das mãos, se perguntaram aos médicos, enfermeiros e demais profissionais sobre a higiene das mãos ao realizar seu atendimento, se houve algum tipo de constrangimento e se notaram uma resposta positiva. Este estudo foi aprovado pela Comissão de Ética do hospital.

A aderência à lavagem das mãos foi medida pelo consumo de sabonete (1,7 ml/lavagem) e o de papel toalha (3 folhas/lavagem). Noventa e oito pacientes foram selecionados (eles tinham que estar conscientes para colaborar), dos quais trinta e nove participaram do projeto e vinte e quatro foram entrevistados após a alta. O consumo de sabão aumentou em 50% e o de papel toalha 37%. Observado o sucesso do programa em uma unidade-piloto, ele foi estendido para todo o Hospital e mesmo após um ano, o aumento da frequência da higiene das mãos manteve-se acima de 20% em relação ao período anterior á sua implantação. Posteriormente, a enfermagem assumiu a orientação inicial ao paciente, seguindo as orientações do controle de infecção.

Em relação à entrevista após a alta, acima de 95% dos pacientes afirmou ter lido o material educativo e cerca de 90% entendeu a importância da lavagem das mãos. Todos relataram que fizeram a pergunta para a enfermagem, mas menos da metade questionou seus médicos. Mais de 60% avaliou que não houve constrangimento e 2/3 dos entrevistados opinou positivamente sobre o programa. Dentre os comentários realizados, destacamos: “eu não perguntei aos médicos porque sei que eles sempre lavam as mãos”; “eu não me senti confortável para pedir para os médicos, porque eles sempre estavam em grupo”; “a resposta da enfermagem foi muito positiva”; “tive boa resposta de todos, exceto dos médicos”.

A equipe do trabalho concluiu que o programa foi altamente positivo por estimular nos pacientes a responsabilidade pela sua assistência, dar ferramentas ao controle de infecção para monitorar a higiene das mãos, incentivar nos profissionais de saúde esta prática e que para um hospital de 300 leitos, o aumento de pelo menos 34% na lavagem das mãos, pode levar a uma economia de US$50 mil dólares ao ano, em um programa que teve um custo baixo para sua execução.

 

Fonte: McGuckin M. Evaluation of a patient-empowering hand hygiene programme in the UK. J Hosp Infect (2001) 48:222-227.

Resumido por Antonio Tadeu Fernandes em 2002