Este relatório fornece uma visão transversal (2006-2011) do Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecção nos Estados Unidos, com a implementação de processos para evitar infecções associadas com cuidado em saúde (Health Care Associated Infections – HAIs) em unidades de terapia intensiva (UTIs).

Métodos: Foram selecionados todos os hospitais, exceto hospitais Veterans Affairs (Hospitais Veteranos dos EUA), inscritos no National Healthcare Safety Network (NHSN) que foram convidados a participar, que envolveu a realização de uma avaliação do estudo da presença de políticas de prevenção baseadas em evidências e adesão médica no grupo NHSN. As estatísticas descritivas foram computadas, através das características das instalações e das taxas de HAI por tipo de UTI foram comparadas entre os entrevistados e respondentes.

Resultados: Dos 3.374 hospitais elegíveis, 975 forneceram dados (taxa de resposta de 29%) em 1653 UTIs, e houveram dados completos vindo da presença de políticas em 1534 UTIs.   A maioria dos hospitais não informa aos médicos ou enfermeiros das UTIS os resultados do programa (Medicos: 12,6%; enfermeiros 28,8%), encaminhando as informações apenas aos gestores (UTI 93,3%; médicos 80,6%; enfermagem 88,2%). Apenas 49,6% tem um epidemiologista hospitalar que se dedica exclusivamente 1,2 horas (texto não informa se diárias ou semanais) para cada 100 leitos nesta atividade. São gastos em média 6 horas semanais para gestão do serviço e 5,6 horas semanais para suporte de secretaria. As atividades de vigilância consomem 46.7 horas e ensino 11,9 horas. O texto também não informa em qual parâmetro (diário, semanal ou mensal?!). Apenas 34,3% tem um sistema informatizado, a maioria desenvolvidos comercialmente.

Foram também avaliadas a divulgação de medidas de prevenção de infecção baseadas em evidencias X aderência a essas recomendações e foram obtidos os seguintes resultados nestas UTIS (divulgação x aderência): infecção da corrente sanguínea (check list na inserção: 92% x 52%; higiene das mãos na inserção: 94% x 62%; precaução com barreiras máximas na inserção: 96% x 62%; uso de clorexidina na inserção: 97% x 71%; escolha do sítio ideal de inserção: 91% x 46%; avaliação diária da necessidade do cateter: 87%  x 37%), pneumonia associada à ventilação (aplicação de bundle: 74% x 52%; cabeceira da cama elevada: 91% x 49%; interrupção da sedação: 89% x 45%; prevenção de úlcera de estômago: 85% x 54%; profilaxia da trombose venosa profunda: 88% x 55%; higiene oral com clorexidina: 69% x 48%) e infecção do trato urinário (revisão diária da indicação: 52% x 27%; sondagem pela enfermagem: 27% x 22%; ultrassom de bexiga: 68% x 12%; preferir condon quando indicado: 51% x 6%)

Conclusões: As diretrizes para o pessoal em Infecções Previsíveis nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) dos hospitais pesquisados precisam ser atualizadas. Em trabalhos futuros, os autores irão analisar as associações entre as taxas de  infecção associada com o cuidado em saúde (HAI), a prevenção de infecção (IP) e as características do programa de controle, bem como a implementação e a adesão do corpo clínico com as políticas baseadas em evidências.

Nossas observações: Vejam que nos Estados Unidos, que lançou a metodologia NNISS e posteriormente NHSN, a participação das instituições não é compulsória, como as autoridades sanitárias de alguns países teimam em obrigar. Dos 4.973 hospitais (fonte: http://kff.org/other/state-indicator/total-hospitals/) 3.379 foram elegíveis e destes apenas 975 forneceram os dados solicitados. Além disso, as informações, apesar de incompletas em relação a alguns tópicos, identificam muitas oportunidades de melhoria nos hospitais americanos, em relação ao controle de infecção. Resumidamente para quem propaga e divulga como meta e “eliminação” das infecções relacionadas à assistência, esses dados são preocupantes.

 

Fonte: American Journal of Infection Control 42 (2014) 94-9.

 

Resenha por: Thalita Gomes do Carmo e Antonio Tadeu Fernandes