A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para a falta de novos antimicrobianos para combater a crescente resistência microbiana em dois documentos lançados recentemente e que deixamos em anexo a este artigo. As modificações das drogas das classes atuais dos antibióticos são apenas soluções a curto prazo não fazendo frente ao maior desafio para a saúde pública de acordo com a OMS.

De acordo com o Dr Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS, “a emergência de resistência microbiana é uma ameaça que coloca em cheque o avanço da medicina moderna, havendo necessidade de investimento e pesquisa de novas opções terapêuticas, se não voltaremos a temer as infecções comuns e até uma pequena cirurgia poderá colocar em risco a vida do paciente”.

Atualmente existem 51 novos antibióticos em desenvolvimento clínico para tratar microrganismos resistentes. Entretanto, apenas 8 podem ser classificados como inovadores, com potencial para agregar valor ao arsenal terapêutico. Ainda existe uma grave falta de novas perspectivas significativas para o tratamento de tuberculose e infecções por Gram negativos multidrogas resistentes, o que provoca alto impacto nas instituições de saúde e asilos. Além disso, poucas drogas podem ser administradas por via oral, o que dificulta sua disponibilidade principalmente em instituições com poucos recursos ou para a atendimento domiciliar.

A Dra. Dr. Suzanne Hill, diretora do departamento de medicamentos essenciais da OMS reforça a necessidade dos pesquisadores e da indústria farmacêutica desenvolverem novas drogas e conclui “se não muitas infecções poderão matar em poucos dias, pois não teremos opções terapêuticas”. No dia 4 de setembro de 2017, vários países (Alemanha, Luxemburgo, Países Baixos, África do Sul, Suíça e a Reino Unido e a Irlanda do Norte) se comprometeram a financiar estas pesquisas com acima de 56 milhões de euros.

Entretanto, a Organização Mundial de Saúde ressalta que essas novas drogas não serão suficientes para conter a ameaça da resistência microbiana. É necessário que todos os países e as instituições de saúde invistam na prevenção e controle das infecções e que esforços sejam direcionados para o uso consciente dos antibióticos existentes nos setores agrícola, com animais e seres humanos.

O primeiro documento apresenta os antibióticos que estão em fase de pesquisa clínica, enfatizando a etapa em que se encontra e qual seu potencial para o arsenal terapêutico.

Link: http://www.who.int/entity/medicines/areas/rational_use/antibacterial_agents_clinical_development/en/index.html

O segundo documento faz uma classificação dos microrganismos que devem ser prioritários para ação dessas novas drogas.

Link:

http://www.who.int/entity/medicines/areas/rational_use/prioritization-of-pathogens/en/index.html

 

Resenha por: Antonio Tadeu Fernandes