A participação do meio ambiente na cadeia epidemiológica das infecções hospitalares vem sendo revista e valorizada, documentada em casos isolados ou surtos pelo emprego de biologia molecular. Os métodos habituais de limpeza concorrente podem não ser eficazes na redução dessa contaminação, particularmente na presença de esporos de Clostridium difficile, e várias alternativas adicionais foram desenvolvidas, inclusive a aplicação controlada de radiação ultravioleta.

Este estudo procurou comparar resultados da higienização ambiental concorrente, da desinfecção terminal e qual o papel adicional do emprego da radiação ultravioleta. Pelo menos, na afirmação dos autores, este foi o primeiro estudo sem conflitos de interesse ou participação de empresas que produzem equipamentos emissores de radiação ultravioleta. Foram colhidas culturas ambientais antes da desinfecção terminal, após este processo e após a aplicação subsequente da irradiação ultravioleta. Foi empregado um equipamento automatizado para emissão de radiação ultravioleta de comprimento de onda 254 nm por cerca de 15 minutos por quarto, em média com dois equipamentos por unidade, objetivando expor a maioria das superfícies ambientais. Foi empregado o teste de Poison para comparar a significância das contagens de colônias obtidas.

Antes da higienização os locais com maior densidade microbiana em média foram: mesa de cabeceira do paciente (1.018 UFC/cm2); acento do sanitário (904 UFC/cm2); telefone (360 UFC/cm2); maçaneta do criado mudo (281 UFC/cm2); poltrona do paciente (233 UFC/cm2); botão da campainha (187 UFC/cm2); botão da descarga do sanitário (176 UFC/cm2); torneira (127 UFC/cm2); grades do leito (81 UFC/cm2); maçaneta da porta (30 UFC/cm2) e interruptor (14 UFC/cm2). Em média tivemos as seguintes médias de contaminação em UFC/cm2: antes da higienização: 28,9 (18,3-40,0); após desinfecção terminal: 1,6 (0,5-2,7); após aplicação de ultravioleta: 0,1 (0-0,1) Assim, o emprego de ultravioleta e a desinfecção terminal apresentaram uma redução significativa da contaminação, quando comparadas com o procedimento concorrente, que de acordo com este estudo revelou-se inadequado. Entretanto, não houve redução significativa ao ser comparado o emprego de ultravioleta com a desinfecção terminal, quando um observador avalia sua realização correta. Assim, para maior eficácia, na prática as instituições devem fazer uma avaliação entre manter um observador durante a desinfecção terminal ou implementar o uso deste equipamento, como alternativas para dar maior segurança ao processo de desinfecção ambiental.

De acordo com o autor desta sinopse, este estudo, embora tenha declarado não ter conflito de interesse, o que é comum em estudos similares, apresenta limitações importantes como o tamanho da amostra, ser realizado em uma única instituição e ser restrito a estudar bactérias aeróbicas, não incluindo as anaeróbicas e nem esporos microbianos, dificultando sua aplicação em outros cenários (validade externa), mas tem sua importância ao questionar a eficácia da limpeza concorrente. Entretanto, não foi incluída também uma descrição da técnica de limpeza ou dos produtos empregados nos procedimentos, o que limita ainda mais sua generalização.

 

Fonte: Penno K et als. Effect of automated ultraviolet C–emitting device on decontamination of hospital rooms with and without real-time observation of terminal room disinfection. American Journal of Infection Control 45 (2017) 1208-13.

Sinopse por: Antonio Tadeu Fernandes