Em 2014 foram notificados ao NSHN 101.074 casos de infecção por Clostridium difficile em serviços de saúde. Na sua cadeia epidemiológica são importantes principalmente a aderência à higiene das mãos e a eliminação de esporos nas superfícies fixas, que podem ficar viáveis por até 5 meses, de acordo com estudos precedentes. Os autores estudaram o impacto da aplicação em um centro para pacientes oncológicos nos Estados Unidos, em adição a desinfecção, de luz ultravioleta de 254 nanometros na eliminação desses esporos e na ocorrência de episódios de infecção por esse agente.

Os autores empregaram o sistema Sufarcide® (http://www.surfacide.com/) , que é composto por 3 torres que emitem essa radiação individualmente ou em conjunto, por um sistema rotatório de 360 graus com um laser para verificar a exposição, com a finalidade de minimizar o efeito sombra, pois não ocorre eliminação de esporos nessas áreas que não são atingidas pela radiação. O sistema também tem um sensor de movimento, que o desliga automaticamente, com a finalidade de proteção de pessoas aos efeitos nocivos dessa radiação. Ele foi aplicado diariamente por 10 minutos no banheiro e 45 minutos no quanto do paciente com infecção por C. difficile, que são mantidos rotineiramente em precaução de contato, após a limpeza e desinfecção ambiental, ambos em momentos sem a sua presença.

O estudo foi realizado por 4 meses. Amostras foram colhidas após a desinfecção e também após a aplicação da ultravioleta no quarto e banheiro do paciente. Antes da aplicação da ultravioleta, 13% das amostras foram positivas, 23% no quarto e 6% no banheiro. Os locais mais frequentemente contaminados foram: mesa de cabeceira do paciente e tampa do vaso sanitário. Após a aplicação da ultravioleta apenas uma mostra foi positiva (0,4%, localizada em teclado de computador e a redução foi estatisticamente significativa. Durante o período de aplicação também foi observada uma redução nos casos de infecção por C. difficile (de 12,9 por 10.000 pacientes dia para 11,4 por 10.000 pacientes dia), porém não foi apresentada a significância estatística deste achado. Assim, os autores concluem que a aplicação de ultravioleta pode ser uma medida adicional a desinfecção ambiental nos quartos com pacientes infectados por C. difficile.

Na minha opinião este equipamento procura resolver alguns problemas da utilização de ultravioleta, como presença de áreas sombra e toxicidade de sua exposição. Não ficou claro no estudo como é controlado o cumprimento de onda da radiação, outro problema importante que pode afetar sua eficácia. Também não ficou claro o impacto efeito sobre a redução da transmissão intra-hospitalar deste agente. Não foi declarado conflito de interesse dos autores do artigo.

 

Fonte: Hanrahan M et al. The Effect of Ultraviolet Light on Clostridium difficile Spore Recovery Versus Bleach Alone. infection control & hospital epidemiology september 2017, vol. 38, no. 9, pags 1116- 1117.

Sinopse por: Antonio Tadeu Fernandes