A Candida spp é um dos patógenos mais freqüentes como causa de infecções nosocomiais da corrente sanguínea (ICS), com mortalidade que varia de 40 a 70%. Em estudo retrospectivo de análise de ficha de notificação de candidemia em pacientes internados em um Hospital Filantrópico Terciário no Interior do Estado de São Paulo, no período de janeiro de 2005 a abril de 2015, foram encontrados 132 isolados de espécie de Candida em hemoculturas, sendo 109 (82,6%) adultos e 23 (17,4%) crianças (< 13 anos). 70,5% (93/132) dos casos ocorreram em pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A taxa de mortalidade encontrada foi de 57,5% (76/132), mas quando consideramos os óbitos em UTI a taxa foi de 59,1% (55/93). Das 132 espécies de Candida spp isoladas, 81 (61,4%) foram não albicans e 51 (38,6%) C. albicans. As espécies foram assim distribuídas: 51 (38,6%) C. albicans, 29 (22%) C. tropicalis, 29 (22%) C. parapsilosis, 17 (13%) C. glabrata, 02 (1,5%) C. guilliermondii, 02 (1,5%), C. famata 01 (0,7%) C. kefyr e 01(0,7%) Candida spp. A taxa de mortalidade associada a C. glabrata foi de 65% (11/17), C. tropicalis 65% (19/29), C. albicans 57% (29/51) e C. parapsilosis 41% (12/29).

Em relação às características dos pacientes, C. glabrata foi mais comum em pacientes idosos (69anos), C. tropicalis em cirurgia abdominal (48%) e C. parapsilosis em pacientes com Cateter Venoso Central (CVC) (73%). Em relação ao tempo médio entre a coleta da hemocultura e o isolamento da Candida spp houve diferença estatística (p < 0,001) entre as espécies de Candida albicans (39,1 horas) e Candida glabrata (60,6horas).

O conhecimento sobre as espécies de Candida isoladas, perfil de sensibilidade, relação entre as espécies e características clínicas e o tempo médio entre a coleta e o isolado da Candida spp são fundamentais para uma terapêutica antifúngica adequada e para instituição de medidas preventivas para minimizar os riscos da candidemia.

 

Autora: Jacqueline Mirian Defavari Bonilha de Moraes