Existe uma tendência progressiva a se realizar procedimentos cirúrgicos de pequeno porte em ambulatórios, aumentando a complexidade do atendimento a este nível, inclusive o risco de infecção hospitalar. Assim, os profissionais de saúde que atuam nestas instituições precisam incorporar em sua prática os conceitos de esterilização, desinfecção, descontaminação e risco de transmissão cruzada de infecções. Para avaliar o grau de conhecimento foi encaminhado pelo correio um questionário a 144 enfermeiras, que atuam nessas unidades, com alternativas de múltipla escolha, não excludentes. Foram recebidas 77 respostas (53%), dos quais 28 estavam incompletos, alegando principalmente que o tema não se aplicava aos procedimentos realizados, sendo então analisados os 49 questionários restantes, dos quais 27 (59%) trabalhavam em centros de saúde e 19 (41%) em clínicas particulares.

Apenas 11 (22%) afirmaram ter acesso a Central de Esterilização de Material (CME) e dos que não tem este apoio 24 (63%) afirmaram ter interesse nesse suporte. Houve Acerto no conceito de esterilização em 23 respostas (52%) e 14 (32%) o de desinfecção. As atividades mais frequentes nestas unidades eram: curativos 49 (100%); lavagem de ouvido 44 (89.9%); exame colpo citológico 40 (81,6%), inserção de diafragmas ou DIU 33 (67,3%) e pequenas cirurgias 32 (66,7%). A grande maioria 44 (92%) acredita que sempre a limpeza deve preceder a esterilização ou desinfecção, mas 4 (8%) acham que nem sempre a limpeza é necessária. Ela é realizada apenas com água 11 (23%), água e detergente 40 (85%), lavadoras ultrassônicas 2 (4%) e soluções desinfetantes 31 (65%). Quanto aos cuidados com o chão as opções foram: apenas limpeza 34 (78%), desinfecção 9 (20%) e esterilização 3 (7%).

O processo de esterilização mais empregado foi o calor úmido sob pressão, citado por 42 (88%); glutaraldeído por 10 minutos 12 (27%), água quente (70 a 100 graus) por 10 minutos 12 (27%); clorexidina durante toda a noite 5 (11%). Dos 42 que responderam autoclave, 30 utilizam equipamentos gravitacionais e 11 de autovácuo ou ambos (2). É muito variada a frequência de limpeza da câmara de esterilização, mas nenhuma instituição faz a limpeza diária e a grande maioria (97%) faz em intervalos maiores ou iguais a uma semana. A sua manutenção é realizada a cada três meses em 47,4% das instituições e apenas anualmente em 36,8%, sendo que em uma delas apenas quando apresenta problemas. É utilizada água deionizada em 95% dos casos. Apenas uma enfermeira registra todo ciclo de esterilização e 27 (75%) registram apenas a temperatura, da quais 5 (17%) são inferiores ao preconizado (120 a 126 graus). Quanto a duração da esterilização, 27 (62%) responderam 3 minutos, 8 (28%) um tempo maior, oscilando em média de 4 a 15 minutos.

De acordo com os autores, a análise das respostas comprovou deficiências na formação dos profissionais, comprometendo a eficácia de sua atividade. Algumas respostas, mesmo minoritárias, revelam problemas preocupantes, com por exemplo o conceito da não necessidade de limpeza prévia antes da esterilização ou desinfecção. Também a utilização de autoclaves gravitacionais pode apresentar problemas no reprocessamento de alguns artigos como os embalados, porosos ou com lumens. Ninguém faz a limpeza diária das câmaras, como é recomendado. Estes dados fazem rever a forma como o controle de infecção vem sendo ensinado nas universidades da Inglaterra e revelam que o estudo de esterilização e desinfecção é de fundamental importância para quem atua em assistência primária na Inglaterra.

 

Fonte: McNally O, Thompson IM. Mcllvenny, Smyth ETM, AcBride N, MacAuley D. Sterilization and disinfection in general practice within university health services. J Hosp Infect (2.001) 49: 210-214.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes em 2002.