A aderência dos profissionais de saúde à higiene das mãos é insatisfatória e a alta carga de trabalho é uma justificativa frequente destes profissionais que foram treinados para a realização do procedimento. Entretanto, artigos anteriores não avaliavam adequadamente tanto a adesão à higiene das mãos como a carga de trabalho em todos os períodos assistenciais, dificultando a comprovação desta correlação.

Este estudo realizou um monitoramento eletrônico da carga de trabalho, aderência e oportunidades para higiene das mãos, com concomitante observação direta desta prática, para validar a metodologia, durante um ano numa unidade de transplante de medula de um hospital universitário da Suíça.

As oportunidades foram identificadas eletronicamente nos prontuários a partir dos cinco momentos para higiene das mãos da OMS. A aderência também foi monitorada de forma eletrônica e contínua através de dispensadores com sensores. Foram identificadas 497.130 oportunidades para higiene das mãos, sendo realizado este procedimento em 208.184 vezes (42%). A adesão foi significativamente maior (P<0<001) durante os dias úteis (44,96%), quando comparado com os finais de semana (35,93%).

Das 53.806 horas trabalhadas de enfermagem, 38.938 foram de contato direto com os 3.649 pacientes-dia. A Carga de trabalho é também maior nos finais de semana (índice: 78,7 x 70,4) e num gráfico de correlação foi observada que quanto maior a carga de trabalho, menor é a aderência à higiene das mãos. Assim, os autores concluem que a carga de trabalho e a deficiência do quadro funcional são condicionantes importantes da aderência à higiene das mãos.

 

Sinopse por: Antonio Tadeu Fernandes

Fonte: Scheithauer s. et al. Workload even affects hand hygiene in a highly trained and well-staffed setting: a prospective 365/7/24 observational study. Journal of Hospital Infection. Vol 97 (2017). Pags.  11 a 16.