Após 19 anos CDC lança novo Guia de Prevenção de Infecção do Sítio Cirúrgico/ISC que deve ser inserido nos Programas de Controle de Infecção Hospitalar, Qualidade e Segurança do Paciente.

Qual a importância deste guia?

Você sabia que um estudo nos EUA mostra que aproximadamente 50% das ISC poderiam ser evitadas se adotadas estratégias de prevenção?

Os custos com o tratamento de ISC vem crescendo consideravelmente. E nos casos que envolvem cirurgias para implantação de próteses, como também aqueles com presença de GMR (germe multirresistente) os custos podem exceder U$90 mil dólares!

Qual o objetivo deste guia?

O objetivo do guia é fornecer recomendações novas e atualizadas, baseadas em evidências científicas sobre prevenção de ISC, nos convidando a conhecer as recomendações para PREVENÇÃO da Infecção Relacionada à Saúde/IRAS que ocupa o 3º lugar entre as infecções em pacientes hospitalizados no Brasil. (Fonte ANVISA, Critérios Diagnósticos de IRAS 2017).

Qual o nível de evidência científica deste guia?

Este guia seguiu rigidamente a metodologia de evidências científicas adotadas pelos CDC em 2009. Foram pesquisadas as principais bases eletrônicas disponíveis na internet, com publicações entre 1.998 e 2014. Foram selecionados previamente 5759 artigos, revisados por pelo menos dois avaliadores independentes, dos quais apenas 170 foram considerados para a elaboração deste guia. Ele também relata os principais motivos pelos quais os artigos foram excluídos. A classificação em evidência científica segue a preconizada pelo próprio CDC. Todas as afirmações vêm acompanhadas de referências bibliográficas, facilitando um aprofundamento teórico e a avaliação de sua metodologia de estudo. Este guia é uma revisão sistemática sobre o tema e resumidamente, tem excelente emprego da metodologia das evidências científicas e representa as principais respostas às questões levantadas para a prevenção de infecção do sítio cirúrgico.

Quais as principais recomendações do guia?

As principais recomendações do guia, são:

➔           O uso de sabão antimicrobiano ou não, DEVE ser utilizado pelo menos na noite anterior a cirurgia;

➔           A antibioticoprofilaxia deve ser usada apenas quando indicado em protocolos clínicos e cronometrado de tal forma que atue na hora da incisão da pele

➔           Em relação ao preparo da pele, é recomendado preparação da pele do paciente com substância alcoólica sem contraindicação;

➔           NÃO é recomendado para procedimentos limpos e limpos contaminados, doses profiláticas de antibióticos após a incisão cirúrgica. Isso deve acontecer na sala de cirurgia, mesmo com a presença de DRENO;

➔           NÃO é recomendado o uso de antibióticos TÓPICO;

➔           <200 mg/dl deve ser o nível mantido de glicose no sangue;

➔           NORMOTERMIA é pré-requisito para todos os pacientes;

➔           Frações aumentadas de oxigênio devem ser administradas durante a cirurgia e após a extubação no pós-operatório imediato, isso em pacientes com função pulmonar normal submetidos a anestesia geral com intubação endotraqueal;

➔           A transfusão sanguínea NÃO deve ser contra-indicada em pacientes cirúrgicos, como maneira de prevenir a ISC;

➔           Cirurgia Cesariana requer administração de antibiótico profilático antes da incisão da pele;

Quais práticas não foram recomendadas ou não resolvidas no guia?

Muitas recomendações do guia foram baseadas em evidências científicas menores, como estudos observacionais ou sem um grupo controle para comparação de condutas. Outras práticas não foram recomendadas, destacando-se: a irrigação intra-operatória com antimicrobianos da cavidade ou pele previamente à sutura; imersão de próteses em soluções com antimicrobianos; uso de antissépticos na cicatriz cirúrgica; emprego de plasma rico em plaquetas; fios de sutura impregnados com triclosan; curativos impregnados com antimicrobianos; selantes com antimicrobianos após sutura de parede; emprego de campos cirúrgicos aderentes com ou sem antimicrobianos impregnados; injeção intra articular de corticoides em artroplastias; várias estratégias pata prevenção da formação de biofilmes (modificação do cimento, da prótese ou aplicação de vacinas); profilaxia do tromboembolismo para prevenção de infecção em cirurgias de artroplastia.

 

Que considerações adicionais são feitas no guia?

Este guia relata que ainda há muitas questões não resolvidas ou não recomendadas ou estudos não controlados, necessitando de novas pesquisas mais criteriosas. Com isto este tema necessita de revisões sistemáticas constantes para identificar a efetividade dessas abordagens.

Sinopse por: Vívian Lopes e Antonio Tadeu Fernandes.

Fonte: Berrios-Torres SI, et al. Centers for Diseases control and prevention guideline for the prevention os surgical site infections, 2017. JAMA Surgery E1-E8, May 2017.


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