Di Martino e colaboradores compararam a aderência à higiene das mãos antes, logo a seguir e depois de um ano, de um programa de treinamento, focado nesta ação para médicos e enfermeiros do departamento de emergência de um hospital pediátrico localizado em Florência na Itália. Os profissionais inicialmente foram informados a respeito da observação da higiene das mãos, realizada entre janeiro e março de 2008. A intervenção foi realizada em abril.

Os indicadores do período pré observacional foram apresentados para as equipes. Seminários foram realizados sobre infecção hospitalar e a importância da higiene das mãos, destacando a preferência por soluções alcoólicas. Além disso, todos os médicos e enfermeiros tiveram que utilizar um boton com a seguinte mensagem: “pergunte se eu lavei minhas mãos”. Todos receberam embalagens de bolso com solução alcoólica e seu consumo controlado pela enfermagem da unidade, através de gráficos semanais apresentados para a equipe. Foi medido o impacto destas intervenções logo após o treinamento e um após ano.

Foi observado um aumento significativo na aderência a higiene das mãos logo após a intervenção: todos (14,3 x 44,9 p<0,001); enfermeiros (19,2 x 40,4 p<0,001); médicos (7,7 x 50,5 p<0,001). Após um ano o índice de adesão não alterou significativamente no geral, embora tenha caído entre os médicos e aumentado significativamente entre enfermeiros: todos (44,9 x 45,2 p=0,9); enfermeiros (40,7 x 49,8 p=0,03); médicos (50,5 x 36,5 p=0,008).

Os autores informam que apenas a enfermagem recebeu treinamentos mensais de reforço, o que não aconteceu com os médicos. Além disso, colocam como limitações ter focado as observações em apenas um dos cinco momentos para higiene das mãos (antes do contato com o paciente), o possível efeito booster provocado pelo observador e os estudos foram realizados em setor de emergência, não podendo ser extrapolados para outros departamentos do hospital. Eu observo como informação curiosa deste estudo a boa resposta dos médicos ao treinamento inicial, superando até os resultados obtidos com a enfermagem, mas depois não foram envolvidos diretamente nos treinamentos subsequentes, o que pode, pelo menos em parte, justificar sua menor aderência a longo prazo.

Fonte: American Journal of Infection Control: vol 39, pags 14-18, fev 2011

Resenha elaborada por Antonio Tadeu Fernandes para CCIH Revista.

 

Revisado e atualizado por Antonio Tadeu Fernandes
para Memória CCIH


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