Os autores realizaram uma revisão bibliográfica sobre a inter-relação entre cultura organizacional e a aderência as práticas de prevenção de infecção. Eles pesquisaram as principais revistas especializadas em controle de infecção e em gestão de recursos humanos. Segundo os autores existe uma grande dificuldade epistemológica para esta pesquisa, pois a maioria dos estudos sobre controle de infecção é de natureza quantitativa e os de cultura organizacional de natureza qualitativa, o que dificultou encontrar artigos bem desenhados metodologicamente para o estudo dessa correlação.

A cultura organizacional é definida como um programa mental coletivo que distingue os membros de uma organização de outra, refletindo sobre clientes, empregados, missão, produtos/serviços e atividades. O hospital é uma organização complexa e multifacetada com várias categorias profissionais, onde inúmeras subculturas podem coexistir a nível profissional, técnico e administrativo. Estes grupos tendem a ter uma postura conservadora principalmente, quando sentem ameaçada sua cultura tradicional. Existe uma constante tensão entre a as metas individuais e organizacionais, favorecendo o “paradoxo dos comuns”, pelo qual as pessoas tendem a otimizar seus próprios interesses em detrimento dos interesses organizacionais. O texto destaca vários aspectos da cultura organizacional que podem impactar nas práticas profiláticas: Liderança; equipes multiprofissionais; aderência aos protocolos institucionais; grau de satisfação no trabalho; abertura à inovação; comunicação; grau de abertura ou resistência à mudanças de atitudes; sistemas para avaliação de performance.

O impacto destes aspectos sobre as práticas de prevenção de IH pode ser importante, embora existam poucos estudos comprobatórios, devido as dificuldades relatadas pelos autores. A cultura organizacional é socialmente e historicamente construída, holística e muito difícil de ser alterada. Os autores concluem pela necessidade urgente de estudos que promovam mudanças nas culturas organizacionais que levem a uma melhor aderência ás práticas de prevenção e controle das infecções.

Na minha opinião este artigo deve ser lido por gestores das instituições de saúde, de seus recursos humanos e pelos controladores de infecção. Nosso curso há mais de 10 anos debate esta temática e estamos cientes que estamos formando uma nova geração de controladores de infecção, aptos a enfrentar este desafio.

Fonte: The Journal of Hospital Infection 86 (2014): 7-15.

Resenha realizada por Antonio Tadeu Fernandes para CCIH revista.