As infecções relacionadas à assistência são a principal causa de morbidade e mortalidade na assistência domiciliar, nos Estados Unidos, ocorrendo de 1,8 milhões a 3,3 milhões de episódios anuais e cerca de 330 mil óbitos, custando de U$ 38 milhões a U$ 137 milhões com antibióticos e de U$673 milhões a 2 bilhões com as internações. Além disso, se observa uso inadequado de antibióticos, surtos de infecção e transferência de patógenos com o cenário hospitalar.

De acordo com Nursing Home Reform Act toda empresa de assistência domiciliar deve ter um programa de controle de infecção que contemple atividades de vigilância, investigação de surtos, normas de precauções e isolamento, programas educativos, gestão de antibióticos, saúde ocupacional, orientações sobre higiene das mãos e padronização de procedimentos invasivos. Recomenda-se também um profissional específico com carga horária mínima semanal de 8 horas ou mesmo em dedicação exclusiva.

Na avaliação dos serviços americanos entre  2000 e 2007,  observou-se não conformidade em 15% na elaboração de relatórios e 9% em relação a orientação sobre higiene das mãos. Sendo que este último indicador mostrou uma tendência a piora no período. O Departamento de Saúde do Estado de Maryland regulamentou a necessidade de um profissional responsável pelo controle de infecção na empresa, que foi treinado principalmente em: vigilância, medidas de precauções focadas em multirresistentes e na identificação e manejo de surtos. Foram solicitados 5 indicadores: úlcera por pressão, utilização de sonda vesical, infecção do trato urinário e aderência a vacinação contra influenza e pneumococo.

Foram avaliadas 123 empresas de assistência domiciliar e nas que tinham profissionais com dedicação exclusiva ao controle de infecção foi observada redução significativa da incidência de úlcera por pressão e da não adesão ao programa de imunização contra influenza. Os demais indicadores não apresentaram variação significativa. Nenhum indicador reduziu nas instituições que apenas treinaram seu profissional responsável, sem ele ter dedicação exclusiva.

Os autores salientam a importância da redução de úlceras por pressão devido seu impacto na colonização por multirresistentes e os custos relacionados ao seu tratamento. Apresentam fatores limitantes deste estudo: número limitado de indicadores avaliados, estudos realizados em apenas um estado americano e o fato da epidemia de gripe ter influenciado na aderência à imunização confundindo os resultados. Na minha opinião este estudo apenas dá um indício da importância do controle de infecção na assistência domiciliar, mas estes fatores limitantes impossibilitam uma conclusão com maior grau de evidência.

Fonte: American Journal Infection Control: 42 (2014): 2-6.

Comentado por Antonio Tadeu Fernandes para CCIH Cursos de Controle de Infecção (CCIH REVISTA)


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