A resistência das bactérias aos antimicrobianos foi definida como uma das cinco grandes ameaças à saúde coletiva nos Estados Unidos e a Casa Branca definiu em março de 2015 que todos os hospitais americanos para doentes agudos até o ano 2020 tenha implantado um programa para gerenciamento dessas prescrições.  Embora esses esforços devam envolver todos os profissionais que atuam com impacto na saúde da coletividade, este artigo aborda o papel específico da enfermagem.

Nos Estados Unidos mais de 2 milhões de pessoas desenvolvem anualmente infecção por bactérias resistentes, ocasionando cerca de 23.000 óbitos e um custo adicional de 55 bilhões de dólares para a economia americana (custo das infecções mais perda da produtividade dos afetados). Até 50% dos pacientes hospitalizados recebe pelo menos um dia de antibiótico, pelo menos metade desnecessário ou inadequado. Numa análise 505 hospitais privados, 78% tinham evidências de uso inadequado de antibióticos, a um custo evitável superior a 12 milhões de dólares. Em unidades ambulatoriais o custo com antibióticos supera 60% e 58% das prescrições são para “tratamento” de infecções virais.

Desde o final da década de noventa começaram a ser propostas estratégias para gerenciar a prescrição de antimicrobianos. Esta gestão envolve um conjunto coordenado de estratégias, inter profissional, focadas para otimizar o uso de antibióticos por assegurar que cada paciente receba um antibiótico apenas quando for clinicamente indicado, o antibiótico apropriado, na dose, duração, e via de administração  corretas. O objetivo é atingir os melhores resultados clínicos relacionados ao uso de antibióticos ao mesmo tempo minimizando a toxicidade, outros eventos adversos e o surgimento de cepas bacterianas resistentes aos antibióticos. Existem evidências crescentes que isto tem impacto nos custos, qualidade da assistência e na própria resistência microbiana. Inicialmente estes programas envolveram  farmacêuticos, médicos, microbiologistas, controladores de infecção e administradores. A enfermagem ainda não está completamente engajada, embora tenha papel central na administração desses medicamentos.

A enfermagem é o maior segmento dentre os profissionais de saúde, é o centro da assistência aos pacientes e sua participação é crucial para este programa. Tem condições de avaliar no dia a dia, coordenando os cuidados, a evolução do paciente, segurança e resposta à antibioticoterapia. Além disso, nos Estados Unidos mais que 205 mil enfermeiros têm autoridade para prescrever, principalmente em cuidados primários.

Recentemente o congresso americano aprovou uma verba de 160 milhões de dólares para financiamento de ações para controle da resistência microbiana a partir do CDC. Entretanto as associações de enfermeiros não têm quase se pronunciado a respeito do problema.

Devido a consequências desastrosas da resistência aos antibióticos e a urgência para incorporar a toda a comunidade de enfermagem em mudanças de modo como os médicos e os consumidores utilizam antibióticos e reduzir o montante global dos antibióticos consumidos, várias ações são propostas. A gestão de antimicrobianos é um componente integrante da segurança do paciente e o enfermeiro pode fazer contribuições significativas para a prática, educação, investigação, política e esforços para reduzir a resistência aos antibióticos.

Entre as ações propostas está um maior conhecimento da resistência antimicrobiana, seus fatores predisponentes e como realizar seu controle. Participar ativamente, dando subsídios para uso adequado dos antimicrobianos no dia a dia e também em atividades educativas na comunidade. Avaliar os resultados de suas ações neste programa.

Resenha por: Antonio Tadeu Fernandes

Fonte: Mary Lou Manning,  Jeanne Pfeiffer, Elaine L. Larson. Combating antibiotic resistance: The role of nursing in antibiotic stewardship. AJIC Volume 44, Issue 12, Pages 1454–1457, 2016.