Uma fonte importante com informações sobre segurança do paciente é o portal lançado pela Organização Mundial de Saúde (http://www.who.int/patientsafety/en/ ) disponível em vários idiomas, inclusive espanhol, para quem tem dificuldades com o inglês, com informações sobre suas atividades e recomendações para o aprimoramento da segurança do paciente.

Lançada em outubro de 2.004, pelo diretor geral da OMS, ela foi criada para difundir e aprimorar a segurança do paciente em todo o mundo. Ela é definida como a ausência de dano evitável ao paciente durante o processo de cuidados de saúde. O programa foi criado para facilitar melhorias sustentáveis na segurança do paciente e gerenciamento de riscos, para impedir danos aos pacientes, desenvolvendo lideranças e conhecimento para implantação de programas nacionais com estes objetivos.

Em maio de 2017 foi publicado uma apostila, que pode ser baixada pelo seguinte link: (http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/255507/1/WHO-HIS-SDS-2017.11-eng.pdf?ua=1), no qual se enfatiza que a segurança do paciente deve ser um princípio fundamental na assistência à saúde. Segundo alguns estudos, eventos adversos podem ser a terceira causa de óbito nos Estados Unidos, No Reino Unido, um dano ocorre a cada 35 segundos e nos países em desenvolvimento uma associação de condições desfavoráveis favorece ainda mais sua ocorrência: estruturas inadequadas, falta de pessoal, superlotação, escassez de equipamentos básicos, falta de higiene e de saneamento. A segurança na assistência à saúde deve ser uma preocupação global e, embora os sistemas e condições da assistência difiram bastante, muitas ameaças têm causas e soluções semelhantes, favorecendo o intercâmbio de estratégias preventivas para os danos evitáveis, que correspondem a pelo menos 50% do total, podendo chegar a 83% nos países subdesenvolvidos. Os eventos adversos mais frequentes são relacionados com procedimentos cirúrgicos (27%), erros de medicação (18,3%) e infecções hospitalares (12,2%).

O custo direto e indireto (incluindo eventuais demandas jurídicas) destes danos, incluindo as infecções hospitalares, pode chegar anualmente nos Estados Unidos a até 29 bilhões de dólares, afetando também a reputação e credibilidade das instituições. Além disso, o custo da implantação de programas efetivos para prevenir esses danos é infinitamente menor, tendo uma alta relação custo-benefício. O projeto da OMS envolve principalmente formar lideranças globais para desenvolver esses programas, elaborar ferramentas, orientações e capacitação dos profissionais ligados à saúde, envolver pacientes e familiares nesses programas e monitorar seus resultados.

Na minha opinião, a leitura atenta deste documento detalha as principais ações a serem desenvolvidas em todos os níveis. Particularmente, acho impossível ter sucesso na gestão dos serviços de saúde sem controlar e prevenir os eventos adversos da assistência. Neste sentido, controle de infecção, segurança do paciente e gestão de riscos, interlaçadas a partir da epidemiologia hospitalar, devem ser partes fundamentais dos programas de qualidade a serem implantados nas instituições de saúde e sua ausência leva a um desperdício de recursos financeiros e humanos, incompatíveis com ações que visem preservar a saúde da coletividade, que deve ser a missão essencial de cada instituição de saúde. Afinal, a gestão de qualquer atividade humana, sem o controle e prevenção de seus riscos intrínsecos, afeta diretamente sua sustentabilidade e, particularmente nas instituições de saúde, podem até ser consideradas um crime, que maus gestores podem estar cometendo, direta ou indiretamente.

Autor: Antonio Tadeu Fernandes