Staphylococcus aureus resistente a meticilina (MRSA) é um importante agente isolado em casos de infecção hospitalar, representando até 40% dos S. aureus identificados em pacientes hospitalizados nos EEUU, aumentando a morbidade, letalidade e custos assistenciais. Várias medidas foram propostas para seu controle: vigilância prospectiva microbiológica para se identificar pacientes colonizados; isolamento dos pacientes colonizados ou infectados; uso de precauções de barreira com luvas e avental; lavagem e antissepsia das mãos da equipe; limpeza cuidadosa dos quartos; controle da prescrição de antibióticos de amplo espectro; e erradicar o estado de portador de pacientes e dos profissionais de saúde implicados em surtos.

Neste artigo de revisão que resumimos, o Dr. Boyce faz uma revisão crítica das medidas de controle empregadas, particularmente para erradicação do estado de portador.

O autor apresenta em tabela do texto original a relação completa de substâncias empregadas em solução oral, nebulização ou como agentes tópicos. A primeira estratégia foi proposta por Delafield, em 1941, pela inalação nasal de uma solução anti-séptica com proflavina, penicilina e sufatiazol associado a mentol e licopodium (esporos de um fungo). Esta prática foi interrompida, pois a redução da colonização só era obtida durante o período de uso do produto. Em 1.960, Eleck e Fleming desenvolveram uma técnica para nebulizar meticilina em enfermarias que tivessem pacientes portadores de MRSA, mas a seleção de cepas resistentes a este antibiótico fez esta estratégia ser abandonada. Nenhuma das alternativas propostas para inalação foi efetiva. O autor destaca dentre os regimes orais o uso da rifampicina associada ao co-trimoxazol ou a minociclina, mas relata que ambos esquemas não apresentam boa eficácia. O mais efetivo agente tópico empregado é o mupirocin, que tem sido efetivo na erradicação do estado de portador nasal de S. aureus, mas 25 a 30% se recolonizam após 12 semanas.

Pacientes com colonização nasal por S. aureus apresentam um maior risco de infecção pós-operatória. O uso intranasal de mupirocin por cinco dias, a partir do dia anterior da cirurgia cardiotorácica, reduziu a incidência de infecção de 7% para 2%, com erradicação da colonização nasal em 93% dos casos. Estudos subsequentes não confirmaram estes achados para o total de infecção do sítio cirúrgico, só comprovando redução na participação do S. aureus nestes casos. Esta mesma droga tem sido empregada com sucesso, na prevenção de infecções em pacientes portadores submetidos a hemodiálise e diálise peritonial e para erradicar o estado de portador, entre os profissionais de saúde nos surtos por S. aureus. O mupirocin tem falhado quando o paciente apresenta o S. aureus também em outras topografias como feridas. Nestes casos o seu emprego tem sido associado ao banho com clorexidina degermante e mesmo o uso da solução oral deste antisséptico, mas os resultados também são controvertidos. Tem sido relatada a emergência de resistência ao mupirocin relacionado ao seu emprego prolongado e repetido em instituições nas quais o MRSA é endêmico.

O autor deu sua opinião sobre as causas de insucesso dos esquemas atualmente empregados para erradicação da colonização por MRSA: pequena ação do antimicrobiano contra o S. aureus; baixa penetração na secreção nasal; colonização em várias outras topografias; presença de feridas crônicas; corpo estranho colonizado; e emergência de resistência durante o tratamento. Novas estratégias estão em estudo preliminar, incluindo: creme com PVPI; uso de linezolida; e interferência bacteriana a partir da colonização com outras cepas bacterianas. O autor enfatiza a importância para o controle deste agente, da prevenção da transmissão cruzada de infecções através da lavagem e anti-sepsia das mãos, comentando os reflexos, sobre a incidência de MRSA, do emprego do álcool com emoliente incrementando a aderência da equipe de saúde à higiene das mãos.

A vancomicina permanece como a agente de escolha para o tratamento das infecções provocadas por MRSA, podendo como alternativa ser empregada a teicoplanina. Outros antibióticos também podem ser empregados, casos as cepas sejam sensíveis: rifampicina, minociclina, ácido fusídico; co-trimoxazol; quinolonas; linezolida; equinupristina-dalfopritina. Novos agentes ainda em desenvolvimento poderão representar opção no futuro: LY 333328; BI 397; everninomicina; daptomicina; cetolídeos; glicilglicinas e talvez novos carpenêmicos.

 

Fonte: Boyce JM. MRSA patients; proven methods to treat colonization and infection. Journal Hosp Infect (2001) 48: S9-S14.

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Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes.