Pacientes com ferimentos por queimadura apresentam alto risco de adquirir infecções incluindo as hospitalares. Os autores desenvolveram um protocolo de banho com gluconato de clorexidina (CHG a 0,9%) duas vezes ao dia destinada a diminuir as infecções hospitalares.

Métodos: Foi realizado banho com solução de CHG 0,9% em água estéril duas vezes por dia como parte da rotina de cuidados. Os protocolos de controle de infecção estabelecidos por bundles na Instituição foram mantidos e não foram alterados durante o estudo. Dados provenientes dos protocolos de controle de infecção foram coletados nos 12 meses anteriores a implementação do estudo em questão. As definições para controle de infecção hospitalar da CDC (Centers for Disease  Control and Prevention) foram usadas. Foram utilizadas as definições de controle e prevenção de infecções hospitalares.

Resultados: Este estudo de coorte incluiu 203 pacientes antes da inclusão do protocolo e 277 pacientes após a inclusão do protocolo.. A área média de queimadura foi de 25% da superfície total do corpo. As taxas de infecção encontradas foram como se segue: pneumonia associada à ventilação, 2,2 casos por mil ventilador de dia; infecção urinária associada ao cateter foi de 2,7 casos por 1.000 cateteres-dia; infecção da corrente sanguínea relacionada ao cateter central foi de 1,4 casos por mil cateteres-dia.

Com a implementação deste protocolo as taxas caíram a zero ou ficaram no limiar aceitável, com a exceção de um caso infecção do trato urinário associada ao cateter. Não foram observados efeitos adversos ou atrasos observados na cicatrização de feridas com este protocolo. Todas essas mudanças foram clinicamente significativos, embora sem significância estatística; o estudo não foi desenhado para significância estatística.

CONCLUSÃO: Utilizando este protocolo guiado para o cuidado de enfermagem obteve-se uma diminuição das taxas de infecção hospitalar de forma controlada próxima de zero na  unidade de terapia intensiva.

COMENTÁRIOS: Este estudo não faz uma comparação dos fatores de risco para infecção entre os dois períodos estudados e só mostra dados dessas três topografias de infecção (ITU, ICS e VAP associadas a procedimentos invasivos) nada relatando sobre infecção na escara do queimado. Estudos que “zeram” incidência de infecção devem ser avaliados coma devida cautela e necessitam de um rigor metodológico para podermos confirmar e generalizar o achado.

 

Fonte: American Journal of Infection Control 42 (2014) 129-32.

Resenha por Thalita Gomes do Carmo e Antonio Tadeu Fernandes.