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Bactérias resistentes aos antimicrobianos representam um grande desafio terapêutico, elevando as taxas atuais de morbi-mortalidade. Diante do surgimento e disseminação da bactéria Shigella sonnei com extrema resistência a antibióticos na Europa, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) divulgou um Alerta Epidemiológico, ressaltando a importância da vigilância e diagnóstico microbiológico adequado para sua detecção e sugerindo a implementação de medidas de prevenção e controle de infecção para sua contenção.

Tópicos que serão abordados neste artigo:

  • O que é a bactéria Shigella e como é transmitida?
  • Quais os principais sintomas da diarreia por Shigella e seu período de incubação e transmissão?
  • O que sabemos sobre a resistência aos antimicrobianos na Shigella spp?
  • O que a OPAS recomenda para as autoridades nacionais?
  • Opinião da CCIH Cursos.

O que é a bactéria Shigella spp. e como é transmitida?

A bactéria Shigella spp. é uma das principais causas de diarreia infecciosa grave no mundo, atingindo principalmente crianças. São classificadas como bacilos gram negativos não esporulados, pertencentes à família Enterobacterales, e subdivididas em quatro subgrupos Shigella dysenteriae (subgrupo A), S. flexneri (subgrupo B), S. boydii (subgrupo C) e S. sonnei (subgrupo D). É um patógeno virulento, capaz de causar a doença com um pequeno número de bactérias.

Sua principal fonte são os alimentos e água contaminados, podendo ser transmitida também por via oral-fecal por contato direto com pessoas infectadas, via indireta pelo contato com fômites contaminados e via sexual.

Quais os principais sintomas da diarreia por Shigella spp e seu período de incubação e transmissão?

Diarreia aquosa e sanguinolenta, dor abdominal, cólicas, febre, náuseas, vômito, perda de apetite, dor de cabeça e mal-estar geral.

O período de incubação da doença geralmente é de 1 a 4 dias e de transmissibilidade compreende desde a fase aguda até a eliminação da bactéria nas fezes. Os portadores assintomáticos podem transmitir a doença.

O que sabemos sobre a resistência aos antimicrobianos na Shigella spp?

Em 2015, um estudo epidemiológico identificou a disseminação intercontinental de um sorotipo incomum de S. flexneri 3a, com aquisição de múltiplos determinantes de resistência aos antibióticos em homens que mantinham relações sexuais com homens (HSH). Em janeiro de 2022 o Reino Unido reportou um aumento expressivo de casos de infecções gastrointestinais entre HSH por S. sonnei com resistência extrema aos antibióticos (XDR, em inglês), o que significa resistência às penicilinas, cefalosporinas de 3ª geração, tetraciclina, sulfonamidas, quinolonas e azitromicina. Outros casos similares foram reportados em outros países europeus, confirmando sua disseminação na Europa.

Nos Estados Unidos, a shigelose é a 3ª causa mais comum de infecção entérica, com altas taxas de resistência à ampicilina e sulfametoxazol-trimetoprima (SXT). No Canadá, desde 2014 são relatados casos de S. flexneri e circulação de cepas com sensibilidade diminuída à azitromicina.

Na América Latina, estudo epidemiológico que avaliou dados entre 2014-2020, nos países da rede, S. sonnei foi a segunda espécie mais isolada, apresentando altos níveis de resistência a SXT (58-100%) e ampicilina (10-92,6%). Na região das Américas, milhões de pessoas ainda não possuem acesso à água potável e instalações seguras de saneamento básico, possibilitando que S. sonnei XDR se introduza nos países com recursos limitados.

O que a OPAS recomenda para as autoridades nacionais?

A Organização Pan-Americana de Saúde/OMS recomenda que os estados-membro implementem e reforcem a detecção precoce de S. sonnei XDR, para tomarem medidas oportunas para a prevenção e controle da sua disseminação.

As principais orientações destes órgãos de saúde são:

  • Vigilância e investigação epidemiológica;
  • Detecção pelos laboratórios de microbiologia;
  • Medidas de prevenção e controle das infecções;
  • Tratamento antimicrobiano

Opinião da CCIH Cursos

A resistência bacteriana é um importante problema mundial, e infelizmente vemos os números relacionados aumentarem a cada ano. A identificação precoce e fidedigna dos patógenos e seus respectivos perfis de suscetibilidade aos antimicrobianos é imprescindível para tentarmos controlas esse cenário. Podemos fazer a nossa parte, pleiteando melhores estruturas laboratoriais para nossas instituições de saúde, garantindo triagem adequada nos pontos de atendimento médico/assistencial, e utilizando racionalmente os antimicrobianos, quando necessário e com a indicação adequada.

Fonte: Alerta Epidemiológica – Emergencia y diseminación de Shigella sonnei con resistencia extrema a los antibióticos. Riesgo potencial para Latinoamérica y el Caribe. Divulgado em 6 de junho de 2022.

Disponível em: https://www.paho.org/es/documentos/alerta-epidemiologica-emergencia-diseminacion-shigella-sonnei-con-resistencia-extrema

Sinopse por Laura Czekster Antochevis

Contatos: [email protected]  ou http://linkedin.com/in/laura-czekster-antochevis-457603104

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