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A cada ano, um pico sazonal de influenza e doenças semelhantes à influenza representam uma carga significativa para hospitais e departamentos de emergência. Os autores compararam resultados de um teste rápido realizado na emergência com os testes convencionais e seu impacto na indicação precoce de precauções com gotículas.

Qual é a justificativa do estudo?

A cada ano, um pico sazonal de influenza e doenças semelhantes à influenza representam uma carga significativa para hospitais e departamentos de emergência (ED). Embora seja um fardo para qualquer paciente, a gripe pode ter complicações potencialmente letais e desencadear o agravamento da asma, DPOC e doenças cardíacas. Em um pronto-socorro, o diagnóstico rápido de influenza e com ele a necessidade de precaução de isolamento é essencial para reduzir o risco de transmissão nosocomial. Os testes de ponto de atendimento (Point of Care Testing – POCT), também conhecidos como testes de cabeceira ou testes de diagnóstico rápido, podem ser realizados no laboratório ou na enfermaria com o objetivo de reduzir o tempo de diagnóstico e melhorar as medidas de controle de infecção.

Qual é o objetivo do estudo?

O estudo teve como objetivo investigar melhor o valor diagnóstico da amplificação isotérmica do ácido nucleico no POCT para casos de influenza. Os pesquisadores tiveram como objetivo comparar o valor diagnóstico do POCT de influenza (realizado no PS, pela equipe do ED) com os métodos convencionais de diagnóstico de RT-PCR, para diferenciar entre admissão com ou sem precauções de isolamento de gotículas e investigar os custos e benefícios quando comparados com RT-PCR convencional.

Qual metodologia foi usada?

O estudo foi realizado em um hospital universitário holandês com capacidade para 611 leitos e 45700 apresentações anuais no pronto-socorro. Os dados clínicos foram coletados do sistema de prontuário eletrônico e foram incluídos os pacientes que se apresentaram ao pronto-socorro com doenças semelhantes à influenza e que receberam um POCT de influenza entre janeiro e abril de 2019.

O teste convencional para influenza no ambiente do estudo era feito com amplificação de sonda dependente de ligação multiplex (multiplex ligation-dependent probe amplification – MLPA), que é um método de RT-PCR realizado em laboratório e que testa 13 diferentes patógenos respiratórios virais e bacterianos atípicos em uma única execução, incluindo influenza A e B; o tempo médio de processamento foi de 48 horas e a especificidade e sensibilidade para influenza A foram, respectivamente, 98,2% e 100%. O teste POCT, por outro lado, pode ser feito pelo pessoal da ala e gera um resultado em 13 minutos, testando apenas influenza A e B.

Estatísticas descritivas foram usadas para descrever a população de pacientes. As associações entre as características do paciente, sintomas, comorbidades e resultados do POCT foram analisadas com regressão logística. Os custos e benefícios do POCT foram analisados ​​em dois cenários, o cenário MLPA e o cenário POCT.

Quais foram os principais resultados?

No total, foram analisadas 275 apresentações únicas de 267 pacientes. A idade média da população era de 75 anos e 49% eram do sexo masculino. Os sintomas mais comuns na apresentação foram tosse, dispneia e febre – com 52%, 50% e 39%, respectivamente. No total, 75% da população do estudo apresentava comorbidade cardiovascular e 43% apresentavam comorbidade pulmonar.

Onze por cento da população teve um resultado MLPA positivo para influenza. Não houve testes positivos para influenza B. Os vírus mais comuns, além da influenza, foram H. metapneumovirus (6%) e rinovírus (6%).

POCT teve uma sensibilidade de 94% e especificidade de 98% para influenza A em comparação com MLPA. O valor preditivo positivo foi de 85% e o valor preditivo negativo de 99%.

No que diz respeito aos custos, o cenário MLPA gerou um custo de 266,02 euros por paciente, contra 132,76 euros no cenário POCT. O cenário POCT economizaria 93,26 euros por paciente.

Quais foram as conclusões e recomendações finais?

Os autores concluem que o POCT é um método rápido e confiável para detectar a influenza A no pronto-socorro durante a alta temporada da influenza. Ele pode diferenciar com segurança entre a admissão com ou sem isolamento de gotículas com um valor preditivo negativo de 99% e pode melhorar o fluxo do paciente do ED para as enfermarias. Quando comparado com o teste de influenza MLPA regular, pode economizar 93,26 euros por paciente durante a alta temporada de influenza.

Notam também que há indícios de que o POCT pode desempenhar um papel na estratégia diagnóstica e na decisão de dar alta aos pacientes do pronto-socorro, o que poderia economizar nos custos gerais de saúde; porém ressaltam que pesquisas prospectivas seriam necessárias para uma análise mais aprofundada.

Por fim elucidam que, para a próxima temporada de influenza, seria essencial ser capaz de combinar o teste POCT para influenza com um POCT para SARS-CoV-2; o que pode tornar o MLPA com seus outros patógenos redundantes e mudar o foco do diagnóstico para precauções de isolamento rápidas e confiáveis ​​e fluxo de paciente eficaz.

Quais são as limitações do estudo?

Estatisticamente, este estudo é limitado pela falta de padrões ouro verdadeiros. Outras limitações são o fato de que este estudo é realizado em um único ambiente, e uma limitação do uso de POCT para influenza em geral é que ele dá resultados apenas para influenza A e B.

Por fim, as características de POCT encontradas neste estudo são aplicáveis ​​apenas à influenza A, uma vez que não houve casos positivos de influenza B na população em questão.

Quais críticas e observações?

Este estudo é uma análise de desempenho e custo-benefício que produz resultados muito interessantes, não apenas em relação a premissa inicial dos pesquisadores, mas principalmente pela capacidade dos pesquisadores de olhar além da questão de pesquisa inicial. Durante o período do estudo, os autores puderam perceber que o teste POCT, introduzido para fins diagnósticos, estava sendo utilizado pelos médicos como uma ferramenta para decidir entre a admissão ou alta, além de influenciar na decisão de adotar cuidados com o isolamento das gotículas.

Este estudo é um bom exemplo de como às vezes uma ferramenta é desenhada com um determinado propósito, mas depois na prática clínica começa a adquirir outro significado/utilização; ser capaz de reconhecer o potencial múltiplo precocemente abre a possibilidade para melhores pesquisas futuras e uma visão mais realista do impacto de uma intervenção na prática clínica.

Fonte: van der Kraan M, Hobbelink EL, Kalpoe J, Euser SM, Snijders D, Souverein D. Performance- and cost-benefit analysis of an influenza point-of-care test compared to laboratory-based multiplex RT-PCR in the emergency department. Am J Infect Control. 2021 Nov;49(11):1414-1418

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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