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Neutropenia febril é uma complicação bem conhecida da quimioterapia mielo supressora; as recomendações atuais de agencias norte-americanas orientam terapia antibiótica anti-pseudomonas empírica para pacientes de alto risco. O objetivo dos autores foi avaliar a performance de swab nasal negativo de MRSA em casos de leucemia mieloide aguda, no Yale New Haven Hospital, para determinar o seu valor preditivo negativo (NPV).

Qual a justificativa do estudo?

Neutropenia febril é uma complicação bem conhecida da quimioterapia mielo supressora; as recomendações atuais de agencias norte-americanas orientam terapia antibiótica anti-pseudomonas empírica para pacientes de alto risco. Em alguns hospitais, como o Yale New Haven Hospital, vancomicina é utilizada como tratamento empírico inicial para a neutropenia febril junto a um agente anti-pseudomonas devido a uma preocupação com o risco de organismos resistentes – como MRSA.

O swab nasal negativo para Staphilococcus aureus resistente a meticilina (MRSA) é utilizado para guiar a descontinuação da terapia empírica de MRSA em outras populações de pacientes, porém ainda não foi avaliado o valor preditivo negativo de swabs nasais na população de pacientes com leucemia mieloide aguda com neutropenia febril.

Qual o objetivo do estudo?

Diversos estudos demonstraram o valor preditivo do swab negativo de MRSA de aproximadamente 99% em pacientes não-oncológicos com pneumonia e outras infecções. O objetivo dos autores foi avaliar a performance de swab nasal negativo de MRSA em casos de leucemia mieloide aguda, no Yale New Haven Hospital, para determinar o seu valor preditivo negativo (NPV).

Qual metodologia foi empregada?

Foi realizada uma revisão retrospectiva de prontuários, incluindo pacientes de leucemia mieloide aguda adultos com suspeita de infecção e swab nasal coletado entre fevereiro de 2013 e outubro de 2018 que receberam tratamento empírico. O screening inicial de pacientes com neutropenia febril consistia em cultura sanguínea de linha central e periférica, cultura de urina, procalcitonina, e radiografia de tórax além do swab nasal para MRSA. As infecções por MRSA documentadas por swab e por cultura foram identificadas para determinar a sensibilidade, especificidade, NPV, e valor preditivo positivo do swab nasal.

Quais os principais resultados?

Em total, foram identificados 194 pacientes, e 484 admissões por eventos discretos (discrete encounters) foram analisadas. De modo geral, 468 (97%) tiveram o swab nasal negativo para MRSA durante a admissão sem cultura documentada de MRSA durante a hospitalização. Contudo, em 3 ocasiões foi documentado swab nasal negativo com cultura subsequente documentando infecção por MRSA durante a internação. As infecções documentadas foram bacteremia (n=2) e pneumonia confirmada (n=1). O swab nasal para MRSA apresentou sensibilidade de 62%, especificidade de 98%, valor preditivo positivo de 38% e valor preditivo negativo (NPV) de 99%.

Quais as conclusões e recomendações finais?

O swab nasal negativo para MRSA apresentou NPV de 99% para infecção subsequente por MRSA em pacientes com AML (leucemia mieloide aguda) sem histórico de colonização ou infecção por MRSA. Com base nas evidências encontradas, os autores concluem que, um swab nasal negativo pode guiar a de-escalação de terapia antibiótica para MRS.

Quais as limitações do estudo?

O estudo possui algumas limitações. Primeiramente, foram estudados pacientes de AML em um único centro de cuidados terciários de câncer; portanto os resultados não podem ser generalizados para outras populações de câncer ou outros centros. Além disso, a amostra populacional é relativamente pequena. Por fim, a taxa de MRSA na população de estudo foi de aproximadamente 5%, o que pode limitar a aplicabilidade para populações com taxas mais altas de colonização ou infecção.

Que criticas e observações?

Como citado pelos autores, os pacientes de leucemia mieloide aguda são pacientes de alto risco para a neutropenia febril. Este estudo cumpre sua proposta de avaliar o valor preditivo negativo do swab nasal na população de estudo e propõe a utilização deste como ferramenta adicional para a descalonamento da terapia antibiótica.

O estudo parte de uma premissa interessante e tem metodologia muito clara; este artigo mostra como podemos ressignificar testes já utilizados na rotina clínica de modo a melhorar o controle e a prevenção de infecções, principalmente para populações em risco. Além disso, os autores são muito conscientes das possíveis limitações do estudo e das dificuldades de mudança de comportamento relacionadas a utilização de antibióticos.

Fonte: Perreault SK, Binks B, McManus DS, Topal JE. Evaluation of the negative predictive value of methicillin-resistant Staphylococcus aureus nasal swab screening in patients with acute myeloid leukemia. Infect Control Hosp Epidemiol. 2021 Jul;42(7):853-856

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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