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A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos consideram Enterobacterales resistentes a carbapenem (CRE) uma ameaça urgente a saúde pública devido à alta transmissibilidade, opções de tratamento limitadas e mortalidade significativa. O objetivo principal do estudo foi descrever a epidemiologia relacionada aos pacientes com bacteriúria por CRE em Atlanta (EUA) e determinar se os cateteres urinários aumentam o risco de bacteremia.

Qual a justificativa do estudo?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos consideram Enterobacterales resistentes a carbapenem (CRE) uma ameaça urgente a saúde pública devido à alta transmissibilidade, opções de tratamento limitadas e mortalidade significativa. A bacteriúria por CRE pode ter uma alta taxa de recidiva com bacteriúria e infecções do trato urinário (UTI), contudo são ainda poucos os estudos que focam na identificação de CRE por urina.

Qual o objetivo do estudo?

O objetivo principal do estudo foi descrever a epidemiologia relacionada aos pacientes com bacteriúria por CRE em Atlanta (EUA) e determinar se os cateteres urinários aumentam o risco de bacteremia por CRE no ano subsequente. Além disso, o objetivo secundário foi identificar fatores de risco adicionais para o desenvolvimento de CRE.

Qual metodologia foi empregada?

Desde 2011, o Programa de Infecções Emergentes (EIP) da Georgia conduziu vigilância ativa de CRE a nível populacional e laboratorial em 8 condados da região metropolitana de Atlanta (distrito sanitário nº3 – HD3). O estudo utilizou os dados coletados e foi criada retrospectivamente uma coorte de pacientes com CRE identificados pela primeira vez pela cultura de urina entre 1º de janeiro de 2012 e 31 de dezembro de 2017. Os organismos isolados foram considerados como resistentes quando apresentaram resistência a pelo menos 1 carbapenem não ertapenem e resistente a todas as cefalosporinas de terceira geração testadas.

Além disso os autores buscaram identificar fatores de risco para o desenvolvimento de bacteremia por CRE durante o ano subsequente; pata tal, foram incluídos os casos de bacteremia subsequente que tiveram hemocultura positiva com o mesmo organismo CRE presente na cultura de urina. Foram coletados os seguintes dados dos pacientes: dados demográficos, comorbidades, residência do paciente, local de coleta de cultura, fatores de risco para CRE (presença de cateter e/ou internação na unidade de terapia intensiva na semana anterior), origem da amostra, e resultado de susceptibilidade a antibióticos.

Quais os principais resultados?

Durante o período de estudo foram identificados 464 pacientes com bacteriúria por CRE no HD3 de Atlanta – indicando uma incidência de 1,96 casos por 100.000 habitantes. Destes, foram incluídos 425 (92%) casos na revisão de prontuários, sendo que a média de idade foi de 64 anos e 54% eram do sexo feminino; muitos pacientes eram pacientes de doenças crônicas, com 38% apresentando Índice de Comorbidade de Charlson (CCI) >3 e mais de 1/3 úlcera de decúbito.

Na maioria dos pacientes com bacteriúria CRE foi identificada K. pneumoniae (69%). Dispositivos médicos eram comuns, 56% dos pacientes tinham cateter urinário, 29% cateter vascular central e 39% outros positivos. Quase metade (48%) residia em Hospitais de Tratamento Agudo de Longo Prazo (Long Term Acure Care Hospital – LTACH) ou instalação de cuidados de longa duração (Long-term Care Facility – LTFC) antes da identificação da bacteriúria.

Pacientes com cateteres urinários eram mais propensos a ter cateter venoso central (39%) ou outros dispositivos médicos (49%), ter úlcera de decúbito (45%) e ter anormalidades do trato urinário (19%). Pacientes com cateteres urinários apresentaram mais culturas obtidas em unidade de internação (41%) e foram admitidos na unidade de terapia intensiva na semana anterior (20%). As análises multivariadas também demonstraram que a presença de cateter, cateter venoso central ou outro dispositivo de demora foram significativamente associados à bacteremia subsequente.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Os autores concluem que os pacientes com bacteriúria por CRE no HD3 de Atlanta são cronicamente enfermos, frequentemente residem em instalações de saúde e tem uma alta proporção de dispositivos médicos. Mais da metade da coorte de estudo tinha um cateter urinário no momento da bacteriúria por CRE, o que aumentou o risco de desenvolver bacteremia por CRE no ano subsequente. Ressaltam ainda que estudos futuros são necessários para avaliar com que frequência os cateteres urinários são removidos ou trocados nos grupos de risco e que as intervenções devem se concentrar em minimizar o uso de cateteres sempre que possível nesses pacientes. Por fim, sugerem que pesquisas adicionais podem avaliar se a carga de biofilme ou a terapia de antibióticos ajudam a explicar os resultados encontrados.

Quais as limitações do estudo?

Os autores ressaltam diversas limitações do estudo. A primeira é que não foram capazes de avaliar o tempo de permanência do cateter urinário após o diagnostico ou se terapia antibiótica fio utilizada. Além disso, os pacientes não tiveram culturas de vigilância de rotina obtidas e não foram acompanhados prospectivamente. Outra limitação relevante é que a vigilância baseada na população pode perder casos de não-residentes e viajantes.

Que críticas e observações?

Estudo muito bem desenhado e que faz ótima utilização dos dados disponíveis. Os autores apresentam também perspectivas interessantes durante a discussão, com insights inovadores sobre o tema. Observação importante é não comparação com um grupo controle.

Fonte: Howard-Anderson JR, Bower CW, Smith G, Sexton ME, Farley MM, Satola SW, Jacob JT. Carbapenem-resistant Enterobacterales bacteriuria and subsequent bacteremia: A population-based study. Infect Control Hosp Epidemiol. 2021 Aug;42(8):962-967

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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