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Ainda há pouco conhecimento particularmente sobre os procedimentos geradores de aerossol. O estudo teve como objetivo comparar o espalhamento de gotículas em salas de operação com fluxo de ar padrão (não-laminar) e laminar. 

Qual a justificativa do estudo?

A pandemia de COVID-19 proporcionou um veloz desenvolvimento da compreensão cientifica e médica do vírus SARS-CoV-2, contudo há ainda pouco conhecimento particularmente sobre os procedimentos geradores de aerossol (Aerossol-Generating Procedures – AGP). Salas operatórias padrão são equipadas com sistema de troca de ar com eficiência de 20 trocas por hora com remoção de 80-97% das partículas >5µm; as salas com fluxo laminar são equipadas com filtros de ar particulado de alta eficiência (High Efficiency Particulate Air – HEPA) com remoção de 99.97% das partículas >3µm. A dispersão de partículas de tamanhos variáveis em salas operatórias e a importância de limpeza profunda entre pacientes sucessivos ainda não é clara.

Qual o objetivo do estudo?

O estudo teve como objetivo comparar o espalhamento de gotículas em salas de operação com fluxo de ar padrão (não-laminar) e laminar.

Qual metodologia foi empregada?

Foi desenvolvido um método para coloração de secreções com fluoresceína seguido de captura de imagens com fotografia forense e análise de imagens com um algoritmo cosmológico de processamento de imagens (normalmente utilizado para detecção de objetos no espaço profundo, como estrelas e galáxias). Com um modelo de tosse de extubação, foram comparados os padrões produzidos pelas gotículas em alvos de papel em salas operatórias com fluxo de ar padrão e laminar.

Um ‘gerador de tosse’ (um ressuscitador manual Laerdal utilizado para soprar ar por um cateter ondulado de 17 cm de comprimento com diâmetro interno de 15mm) foi fixado a um carrinho de sala operatória a 45° para simular a posição típica de um paciente em extubação. Foi utilizada compressão com duas mãos para simular a tosse de extubação e a pressão foi calibrada utilizando um medidor de taxa de fluxo respiratório de pico. Uma serie de folhas alvo – com padrões pré-impressos para facilitar a leitura – foram alinhadas em frente ao cateter, estendendo-se por 3m do centro da sala cirúrgica. Para simulação da tosse foram injetados 2.5mL de solução salina 5% com diluição 1:20 de fluoresceína 1%. As imagens foram capturadas com uma câmera equipada com flash UV e o ambiente equipado com iluminação UC extra.

O teste foi repetido 11 vezes em 2 salas operatórias – uma de fluxo padrão e outra de fluxo laminar – com temperatura de 20°C e umidade entre 40-60%. A análise das imagens foi realizada pelo Instituto de Cosmologia e Gravitação da Universidade de Portsmouth com o algoritmo Source Extractor. Para análise estatística, todos os dados foram tabulados de acordo com a sala operatória, tosse e distância; os testes estatísticos foram realizados com Statsmodels e NumPy.

Quais os principais resultados?

O fluxo de ar laminar afetou principalmente as gotas menores (<1000 mm). A área de superfície coberta com gotas foi: 6% a 50 cm, 1% a 2 metros 0,5% a 3 metros no fluxo de ar não laminar; e 3%, 0,5% e 0,2% no fluxo de ar laminar, respectivamente.

A menor gota detectável foi de 120µm e a maior de 24.000µm, e o fluxo de ar laminar afetou principalmente as gotas menores (<1000µm). Uma média de 25.862 pontos (spots) no papel foi detectada na sala operatória com fluxo padrão, em comparação com 11.430 na sala com fluxo laminar; uma redução de 56%.

Quais as conclusões e recomendações finais?

O estudo elucida o potencial da utilização de coloração com fluoresceína e análise de imagem para o mapeamento preciso da propagação de gotículas em ambientes clínicos. No modelo utilizado, o fluxo de ar laminar afetou principalmente gotículas menores. Os resultados encontrados indicam que a sala operatória de fluxo laminar requer limpeza pós-operatória semelhante a não-laminar, e a equipe deve utilizar equipamento de proteção individual completo no atendimento a pacientes de médio e alto risco.

Quais as limitações do estudo?

Os autores indicam as seguintes limitações relacionadas ao modelo de tosse utilizado:

– impossibilidade de medir a produção de aerossol

– diferenças entre a complexidade do trato respiratório e a estrutura utilizada

– partículas <120µm não foram detectadas devido a falta de resolução espacial das técnicas de imagem iniciais

– utilização de solução salina 5%, que possui viscosidade diversa da saliva

Que críticas e observações?

O estudo foca em uma área de gap científico de alta relevância para o período pandêmico em que foi desenvolvido. Os autores fizeram uma aplicação muito interessante de um método normalmente utilizado em estudos cosmológicos e a aplicação criativa da ciência gerou resultados certamente relevantes. Ressalto a atenção aos detalhes aplicada pelos autores, que buscaram durante todo o desenvolvimento garantir a maior acuracidade possível com uma situação clínica real.

Este artigo pode ser classificado como estudo experimental, logo de aixo nível de evidência científica. Salas com fluxo laminar já comprovaram não ser eficazes na redução de infecção do sítio cirúrgico em cirurgias ortopédicas e esses achados precisam ser confirmados por evidências bem mais robustas.

Fonte: Newsom RB, Amara A, Hicks A, Quint M, Pattison C, Bzdek BR, Burridge J, Krawczyk C, Dinsmore J, Conway J. Comparison of droplet spread in standard and laminar flow operating theatres: SPRAY study group. J Hosp Infect. 2021 Apr;110:194-200

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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