Promoção Juho Azul Celeste - Inscrição por apenas R$ 50,00 e mensalidades por apenas R$ 250,00

A recente introdução de testes diagnósticos rápidos de base molecular encurtou significativamente o tempo necessário para definir a presença de patógenos na hemocultura. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto de hemoculturas contaminadas na duração da internação hospitalar e antibioticoterapia entre pacientes hospitalizados em uma instituição onde a identificação rápida de hemocultura estava em uso.

Qual a justificativa do estudo?

A hemocultura é um dos métodos mais importantes para determina infecções graves em pacientes hospitalizados com suspeita de sepse. Uma hemocultura positiva permite o diagnostico preciso de uma infecção e terapia antimicrobiana direcionada; contudo, tradicionalmente as hemoculturas levam de 1 a 5 dias para fornecer os resultados.

A recente introdução de testes diagnósticos rápidos de base molecular encurtou significativamente o tempo necessário para definir a presença de patógenos na hemocultura. Apesar disso, ainda não está claro se este avanço tecnológico influenciou o comportamento dos provedores de saúde na gestão de pacientes com hemoculturas contaminadas.

Qual o objetivo do estudo?

Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto de hemoculturas contaminadas na duração da internação hospitalar e antibioticoterapia entre pacientes hospitalizados em uma instituição onde a identificação rápida de hemocultura estava em uso.

Qual metodologia foi empregada?

Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo envolvendo análise de dados extraídos dos prontuários eletrônicos de pacientes internados entre 1º de junho de 2014 e 31 de dezembro de 2016 no University of Nebraska Medical Center – onde havia sido introduzido em 2013 um sistema de identificação rápida e cultura de sangue de base molecular. Foram incluídos todos os pacientes que tiveram hemocultura realizada durante a admissão.

Foram consideradas hemoculturas contaminadas aquelas em que foram identificados organismos residentes na pele – como estafilococos coagulase-negativos (CoNS), Cutibacterium acnes, Micrococcus spp, estreptococos do grupo de viridians (VGS), Corynebacterium spp ou Bacillus spp – e que as subculturas subsequentes foram negativas. De cada paciente com hemocultura contaminada foram coletadas variáveis sociodemográficas, a presença de doenças subjacentes que poderiam afetar a associação entre contaminação da hemocultura e aumento da hospitalização/antibioticoterapia (doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica, cirrose hepática e diabetes mellitus), e os fatores relacionados a hospitalização (permanência na UTI, admissão no OS e local de coleta de sangue para a hemocultura).

As analises se concentraram no tempo de internação hospitalar e na duração da antibioticoterapia, ambos calculados em dias, e foram aplicados modelos lineares generalizados com análises univariadas e multivariadas.

Quais os principais resultados?

A amostra final consistiu em 11.474 amostras com 464 (4%) episódios de contaminação. O tempo médio ajustado de internação de pacientes com hemocultura contaminada foi de 12,3 em comparação a 11,5 dias dos pacientes com episódios de hemocultura negativa; ou seja, pacientes com episódios contaminados permaneceram no hospital em média 0,8 dias a mais do que aqueles com episódios negativos. As durações medias ajustadas de antibioticoterapia foram respectivamente de 6,0 dias e 5,2 dias, ou seja, também neste caso uma média de 0,8 dias mais longa para os pacientes com hemocultura contaminada.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Os resultados do estudo indicam que, apesar do uso de um sistema de identificação rápida, as hemoculturas contaminadas continuam a ter um efeito significativo na duração da internação hospitalar e na antibioticoterapia. Em comparação a estudos anteriores o aumento desses parâmetros foi relativamente menor, mesmo que ainda significante, e os autores atribuem essa diferença a dois fatores: o primeiro sendo a utilização do sistema de identificação rápida e o segundo sendo um reflexo do aumento da conscientização dos médicos sobre os danos do uso inadequado de antibióticos.

Quais as limitações do estudo?

Os autores ressaltam algumas limitações do estudo, sendo algumas relacionadas ao design do estudo e outras devido a natureza dos dados utilizados. A primeira é que não foi possível levar em consideração todos os fatores de risco potenciais; também, uma medida objetiva da gravidade das doenças/condições subjacentes não estava disponível. Além disso os pesquisadores não tiveram um indicador valido status mental dos pacientes, o que pode influenciar a qualidade da coleta. Por fim, o estudo pode estar sujeito a um viés de informação ou classificação pois não foi possível determinar com segurança a precisão dos dados dos prontuários.

Que críticas e observações?

Este estudo é um ótimo exemplo do potencial de utilizar estratégias múltiplas para atingir uma melhor qualidade de cuidado em saúde. Ao aliar a utilização do teste rápido e a conscientização dos profissionais de saúde a instituição foi capaz de diminuir o tempo de internação e de terapia antibiótica. A utilização combinada do capital tecnológico e humano prova-se cada dia mais eficiente, sobretudo no âmbito da prevenção de infecções.

Fonte: Liaquat S, Baccaglini L, Haynatzki G, Medcalf SJ, Rupp ME. Clinical consequences of contaminated blood cultures in adult hospitalized patients at an institution utilizing a rapid blood-culture identification system. Infect Control Hosp Epidemiol. 2021 Aug;42(8):978-984

Sinopse por: Maria Julia Ricci

E-mail: [email protected]

Linkedin: www.linkedin.com/in/mariajuliaricci

Instagram: @mariajuliaricci_



Ficou interessado? Veja nossos cursos MBA em CCIH e CME.