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Além da transmissão comunitária, o SARS-CoV-2 também causou surtos associados a cuidados de saúde em hospitais, levando a preocupações de que seja transmitido não apenas por contato direto com gotículas, mas também por contaminação ambiental ou transmissão aérea em circunstâncias específicas, como durante procedimentos de geração de aerossóis. Identificar a extensão exata da contaminação ambiental e o risco potencial associado de transmissão viral é essencial para a prevenção e controle de infecções em hospitais e para a proteção dos profissionais de saúde.

Qual o objetivo do estudo?

Investigar a contaminação ambiental resultante da síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2) nos leitos de isolamento de pacientes graves com doença por coronavírus (COVID-19) que requerem ventilação mecânica ou oxigenoterapia de alto fluxo.

Qual a justificativa do estudo?

Identificar a extensão da contaminação ambiental da SARS-CoV-2 é essencial para o controle e prevenção de infecções. A extensão da contaminação ambiental pode variar de acordo com a severidade da doença e tratamento de escolha, e não foi totalmente investigada no contexto de pacientes com COVID-19 grave.

Qual metodologia foi empregada?

O estudo foi realizado no Severance Hospital (Coréia do Sul). Amostras de esfregaço ambiental e amostras de ar foram coletadas das salas de isolamento de três pacientes sintomáticos de COVID-19 com pneumonia grave. Os pacientes possuíam quadros clínicos e tratamentos distintos:

– Paciente 1 e 2: ventilação mecânica com sistema fechado de sucção

– Paciente 3: oxigenoterapia de alto fluxo e ventilação não invasiva

rRT-PCR (real time reverse transcription-polymerase chain reaction – transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase em tempo real) foi usada para detectar SARS-CoV-2; culturas virais foram realizadas para amostras rRT-PCR não negativas.

Nota-se que houve rotina de limpeza executada diariamente; contudo, desinfecção apenas após alta do paciente.

Quais os principais resultados?

Das 48 amostras de esfregaço coletadas nos quartos dos pacientes 1 e 2, apenas as amostras das superfícies externas dos tubos endotraqueais foram positivas para SARS-CoV-2 pelo rRTePCR. Já no quarto do paciente 3, 13 das 28 amostras ambientais (fômites, estruturas fixas e saída de ventilação no teto) apresentaram resultados positivos.

As amostras de ar foram negativas para SARS-CoV-2; porém os autores indicam limitações relevantes de análise quantitativa e qualitativas das amostras de ar.

Embora a cultura tenha sido negativa, o RNA viral também foi detectado no chão a uma distância de> 2 m do paciente, onde a contaminação direta por gotículas era improvável. Indicando possibilidade de contaminação secundária por EPI dos profissionais de saúde ou por aerossóis em situações específicas.

Para além da detecção de RNA viral, foram identificados vírus viáveis na superfície do tubo endotraqueal do paciente 1 e em sete locais no quarto do paciente 3.

Quais as conclusões e recomendações finais?

A contaminação ambiental do SARS-CoV-2 pode ser uma via de transmissão viral. No entanto, pode ser minimizado quando os pacientes recebem ventilação mecânica com sistema de sucção fechado. Na perspectiva dos autores, essas descobertas podem fornecer evidências de diretrizes para o uso seguro de equipamentos de proteção individual.

Foram relatadas limitações importantes que devem ser consideradas ao ler o artigo: pequeno número de pacientes (n=3), amostragem ambiental e do ar feita em momentos pontuais, não foi realizado acompanhamento do grau de contaminação ambiental longitudinalmente com as mudanças de tratamento, e não houve a realização de procedimentos geradores de aerossóis durante a coleta de amostras de ar.

Que críticas e observações finais?

É fundamental atentar-se as limitações apresentadas pelo estudo, principalmente ao pequeno número de pacientes (apenas 3). O estudo cumpre seu propósito investigativo, porém para poder generalizar os resultados uma coorte maior seria necessária, assim como uma metodologia mais estruturada/padronizada.

Fonte: Ahn, J.Y. et al. “Environmental contamination in the isolation rooms of COVID-19 patients with severe pneumonia requiring mechanical ventilation or high-flow oxygen therapy”. Journal of Hospital Infection, Volume 106, Issue 3, 570 – 576.

Sinopse por: Maria Julia Ricci

Instagram: @mariajuliaricci_

E-mail: [email protected]



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