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O estudo teve como objetivo avaliar o risco relativo de desenvolver os tipos de IRAS mais frequentes no ambiente hospitalar. Os fatores de risco incluídos levaram em consideração as informações disponíveis na admissão e que podem ser utilizados para adaptar intervenções para gerenciar o risco específico de cada paciente.

Qual a justificativa do estudo?

As infecções associadas aos cuidados de saúde (HAIs) são uma ameaça à segurança do paciente; afetando pacientes em todos os ambientes de saúde e contribuindo significativamente para a morbidade, mortalidade e aumento dos custos dos cuidados de saúde. Vários fatores contribuem para o risco de HAIs, incluindo o envelhecimento da população, a complexidade das terapias e o surgimento de bactérias cada vez mais resistentes a antibióticos.

Identificar e compreender os fatores de risco potenciais do paciente é uma etapa essencial na dedução do risco individual de desenvolvimento de HAIs, porém são poucos os estudos sobre HAIs que focam no risco de adquirir uma destas infecções já a partir do momento da admissão do paciente. O cuidado centrado no paciente depende da identificação de pacientes de alto risco na admissão, de forma a permitir o planejamento e aplicação de medidas eficazes de controle e prevenção de infecção (IPC) durante toda a jornada do paciente.

Qual o objetivo do estudo?

O estudo teve como objetivo avaliar o risco relativo de desenvolver os tipos de HAI mais frequentes no ambiente hospitalar. Os fatores de risco incluídos levaram em consideração as informações disponíveis na admissão e que podem ser utilizados para adaptar intervenções para gerenciar o risco específico de cada paciente as HAIs. Foram incluídos uma combinação de fatores intrínsecos no momento da admissão e extrínsecos aos quais os pacientes foram expostos nos dois anos anteriores a admissão atual.

Qual metodologia foi empregada?

Foram utilizados dados de um estudo observacional nacional de vigilância de incidência denominado “Avaliação de Custo de Infecção Nosocomial” (ECONI).

Foram analisados dados de um hospital universitário e um hospital geral da Escócia durante um ano (junho de 2018 – junho de 2019). Durante o período de estudo o hospital universitário possuía 918 leitos, sendo 25 de terapia intensiva (UTI) e 33 leitos de alta dependência (HDU); o hospital geral consistia em 492 leitos, sendo 5 de terapia intensiva e 4 de alta dependência. Foram incluídas todas as internações de adultos overnight que se encaixavam na definição de caso epidemiológico de HAIs segundo a definição do Centro de Controle de Doenças Europeu (ECDC).

Os dados coletados incluíram: data de admissão e alta, especialidade, diagnostico para admissão de acordo com o CID-10, cirurgia nos dois anos precedentes e durante admissão, número e localização dos atendimentos prévios, atendimentos ambulatoriais pré admissão e intervenções cirúrgicas no ano precedente. Foram incluídos na análise 32 fatores de risco potenciais baseados na plausabilidade biológica e fatores previamente proposto na literatura cientifica.

Foi aplicada uma abordagem sequencial durante o desenvolvimento do modelo e um modelo multinomial foi executado para investigar o risco relativo de desenvolver os principais 6 tipos de HAIs.

Quais os principais resultados?

Foram incluídos na análise 63.890 admissões, sendo 44.399 do hospital universitário e 19.491 do hospital geral; dentre estes foram identificadas 893 internações por HAIs, sendo respectivamente 822 e 71.

De modo geral os pacientes internados no hospital geral tiveram risco significativamente menor em relação ao hospital universitário. Os fatores de risco identificados para a população geral do estudo foram: idade avançada (>80 anos), admissão na UTI, admissão da HDU, insuficiência renal crônica e admissões de emergência. Os pacientes que tiveram cirurgias nos 330 dias anteriores ou internação por mais de duas semanas nos últimos 2 anos também apresentaram risco mais elevado.

Para infecção da corrente sanguínea (BSI) os principais fatores de risco identificados foram: diagnostico prévio de insuficiência renal crônica e câncer, admissão de emergência ou na HDU, e idade >70.

Para infecção gastrointestinal (GI) os principais fatores de risco identificados foram: idade>70 anos, admissão de emergência, pacientes com diabetes, insuficiência renal crônica e câncer; além pacientes internados por mais de duas semanas nos últimos 2 anos e com tempo de permanência >8 dias apresentarem risco maior.

Para infecções do trato respiratório inferior (LRI) e pneumonia os principais fatores de risco identificados foram: admissão na UTI, admissão na HDU, e tempo total de internação >30 dias nos últimos dois anos.

Para infecção de sítio cirúrgico (SSI) o principal fator de risco identificado foi o tempo entre a cirurgia e a admissão; pacientes que passaram por cirurgias nos últimos 30 dias apresentaram risco aumentado de desenvolver SSI na admissão subsequente.

Para infecção do trato urinário (UTI) foram identificados como fator de risco: idade >80 anos, admissão na UTI e sexo feminino (risco 67% maior em relação a pacientes do sexo masculino).

Quais as conclusões e recomendações finais?

Este estudo usou um grande desenho de coorte para identificar e quantificar o risco de HAIs com base em fatores conhecidos no momento de admissão do paciente.

Os pesquisadores defendem que identificar os pacientes com maior risco de desenvolver HAIs no início da internação e gerenciar seus cuidados de forma a otimizar a prevenção é fundamental; reconhecem que medidas especializadas de IPC podem apresentar custos e reiteram que considerando a quantidade de casos e o benefício ao paciente essas medidas são ainda assim custo-efetivas.

Os autores concluem que os achados da pesquisa podem ajudar no desenvolvimento de uma ferramenta de decisão clínica para identificar pacientes com maior risco de desenvolver HAIs especificas, de forma a possibilitar intervenções precoces de prevenção de infecção individualizadas.

Quais as limitações do estudo?

Os autores não citam limitações para o estudo.

Que críticas e observações?

Este é um estudo de nível nacional muito interessante, que utiliza diversas bases de dados disponíveis aos pesquisadores no contexto nacional Escocês e aplica técnicas epidemiológicas de maneira notável. É também uma evidência da importância de esforços a nível nacional por parte de órgãos governamentais para investir e permitir melhoria da condição de saúde de sua população.

Com os avanços da ciência, em contextos de saúde privilegiados, se fala de personalizar os cuidados de acordo com o paciente; levando em consideração a jornada de cada paciente e os fatores intrínsecos e extrínsecos dos cuidados de saúde é possível cada vez mais prevenir e controlar melhor as infecções no ambiente hospitalar, de forma a trazer benefícios notáveis aos pacientes. Mesmo sendo realizado em um contexto de saúde muito diverso do brasileiro pode ser uma fonte de inspiração para estudos e aplicações futuras.

Fonte: Stewart S, Robertson C, Kennedy S, Kavanagh K, Haahr L, Manoukian S, Mason H, Dancer S, Cook B, Reilly J. Personalized infection prevention and control: identifying patients at risk of healthcare-associated infection. J Hosp Infect. 2021 Aug;114:32-42

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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