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Qual o objetivo do estudo?

O objetivo do estudo foi avaliar, no âmbito de um hospital público de ensino, os custos de internação por valores de faturamento/reembolso atribuíveis ao governo brasileiro, via afiliação ao SUS, pelo Banco de Dados de Saúde Brasileiro (DATASUS) e o tempo de internação por IRAS.

Qual a justificativa do estudo?

Dados sobre o impacto econômico de IRAS em países de baixa e média renda – como o Brasil – ainda são escassos. A análise deste tipo de dados, especialmente em hospitais públicos afiliados ao SUS, pode contribuir para a otimização da atenção à saúde e melhor alocação de recursos financeiros.

Qual metodologia foi empregada?

Pesquisa de prevalência pontual no curso de um dia envolvendo 423 pacientes admitidos em diversas alas hospitalares, dos quais 83 pares foram utilizados em estudo de caso-controle pareado. Foram estudados os pares de pacientes – compostos de 1 paciente com IRAS e 1 paciente sem IRAS – em um hospital de referência de atenção terciaria em Uberlândia (Minas Gerais – Brasil) em 2018.

O critério de seleção do grupo de casos foi o de paciente diagnosticado com IRAS no prontuário clínica – pelo médico responsável ou pelo médico do serviço de controle de infecção hospitalar – seguindo os critérios diagnósticos para IRAS estabelecidos pela ANVISA. O grupo de controles foi selecionado caso-a-caso e composto por pacientes que no dia da seleção não haviam adquirido IRAS, mas que ainda poderiam adquirir durante a permanência no ambiente hospitalar. Os controles foram pareados de acordo com a ala clínica de hospitalização, idade, sexo e duração do risco.

Para cálculo de valores, o custo total (do momento de hospitalização até a alta ou óbito) para cada hospitalização foi cedido pelo setor financeiro do hospital e segue a Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses/Próteses e Materiais Especiais do SUS e leva em consideração o diagnóstico de acordo com a CID-10. Os custos diretos por sua vez foram calculados de forma anual para 949 pacientes durante 2018 e foram considerados apenas os custos diretos da UTI adulta.  Todos os valores foram medidos em Reais Brasileiros (R$) e convertidos em Dólares Americanos (U$) utilizando uma taxa de conversão U$=R$3.93.

Quais os principais resultados?

41% do valor total reembolsado (U$495.758/U$1.207.798) foi alocado para os pacientes com IRAS que representaram apenas 19.6% do total de pacientes (83/423).

Tempo de hospitalização e custo reembolsado por hospitalização foi maior em pacientes com IRAS independentemente de serem ou não pacientes da UTI. Quando um paciente tem uma IRAS, em adição a um maior período de permanência (15 dias), houve o aumento do custo de reembolso por hospitalização. O custo de reembolso por hospitalização para pacientes com IRAS foi 75% maior do que o de pacientes sem IRAS.

Quais as conclusões e recomendações finais?

IRAS contribuem para uma maior estadia e um aumento significativo de custos. É necessário reforçar programas de prevenção de IRAS em hospitais brasileiros.

Que críticas e observações finais?

O artigo oferece uma análise sucinta e limitada do impacto financeiro de IRAS em um hospital do sistema público brasileiro. Como ressaltado pelos autores, esse tipo de análise ainda é escasso em países de baixa e média renda, mas tem potencial de servir como ferramenta para melhor alocação de recursos futuros. Uma observação importante a ser feita é que o artigo utiliza valores em dólares e, levando em consideração a instabilidade do valor de câmbio entre reais e dólares, é necessário atenção redobrada e considerar os dados numéricos de acordo com a variação utilizada no momento da pesquisa.

Fonte: Some, S.F. et al. Costs of healthcare-associated infections to the Brazilian public Unified Health System in a tertiary-care teaching hospital: a matched case-control study. Journal of Hospital Infection, Volume 106, Issue 2, October 2020, pages 303-310.

Sinopse por: Maria Julia Ricci

Contato: [email protected]



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