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O cateter central inserido perifericamente (PICC) é uma alternativa aos cateteres venosos centrais, sendo empregado em pacientes que requerem antibioticoterapia de longa duração, quimioterapia ou nutrição parenteral prolongada. Ele foi introduzido em 1994 no Hospital Saint Boniface, de Manitoba, Canadá, uma instituição universitária de 500 leitos. Cerca de 30 PICC são inseridos mensalmente por quatro enfermeiras treinadas, que fazem parte da equipe deste procedimento.

Na inserção são empregadas precauções de barreira completa e PVP-I para anti-sepsia. A manutenção do cateter é responsabilidade da enfermagem das respectivas unidades. A partir de maio de 1997 foi realizado um treinamento em relação a estes cuidados e este estudo compara a incidência de complicações do procedimento por estudo retrospectivo envolvendo casos atendidos de maio de 1996 até maio de 1997 com o período de maio de 1997 a maio de 1998, avaliados por estudo prospectivo.

Em ambos períodos, foram empregados os seguintes critérios diagnósticos:

  1. Obstrução do cateter: impossibilidade de retirar sangue ou infundir qualquer solução.
  2. Flebite: presença de sinais inflamatórios na veia que respondem a medidas conservadoras, sem febre ou sinais sistêmicos de infecção.
  3. Quebra do PICC: cateter que deve ser reparado ou ocorre vazamento durante seu emprego.
  4. Infecção: definida por sinais clínicos (febre, drenagem purulenta pelo sítio de inserção, flebite que não responde ao tratamento conservador) associados à cultura positiva do acesso ou da ponta do cateter (acima de 15 UFC por técnica da rolagem em placa)

Na comparação dos resultados obtidos foram empregados o qui-quadrado e o teste de Fisher, calculados pelo programa Epi Info. Foi observada uma diferença significativa nos dados demográficos, sendo o primeiro grupo composto por pacientes mais jovens e com maior incidência de neoplasia e infecção. A incidência de complicações caiu significativamente de 20,4 por 1.000 cateter/dia para 13,8 por 1.000 cateter/dia. As principais complicações observadas nesta comparação foram (os dados entre parêntesis comparam o primeiro com o segundo período, e referem-se a valores por 1.000 cateter/dia): obstrução (8,7 X 4,4); flebite (5,2 X 5,3); quebra do cateter (3,3 X 2,2); infecção (1,6 X 1,2); remoção acidental (3,5 X 2,1). Apenas a diferença em relação à obstrução foi significativa. A incidência de flebites foi três vezes maior em pacientes do sexo feminino comparado ao sexo masculino (7,2 X 2,3), também com significância estatística. A taxa de infecção foi baixa, confirmando dados prévios de literatura. Todos os cateteres infectados foram prontamente removidos. Os agentes isolados nestes casos foram: Staphylococcus epidermidis (3 casos); S. aureus (2 episódios); S. hemoliticusEnterobacter cloacaeEnterococcusStenotrophomonas maltophilia e estafilococo coagulase negativo não identificado, todos com um caso cada.

A taxa de complicações não apresentou diferenças significativas quando comparamos as enfermeiras que inseriram o cateter, reforçando a importância dos cuidados durante a sua manutenção. A maior incidência de flebites em pacientes do sexo feminino é uma observação também encontrada em outras casuísticas e relaciona-se ao menor calibre das veias nessas pacientes, favorecendo a obstrução e a ocorrência de flebites por menor hemodiluição do infundido e fluxo sanguíneo inadequado ao redor do cateter. A queda significativa da obstrução parece estar relacionada ao aprimoramento dos cuidados com o acesso vascular fomentados pelo time do PICC, particularmente o fluxo periódico de soro fisiológico pelo cateter. O pronto reconhecimento e o tratamento da flebite pode prevenir a remoção do cateter e a evolução para um quadro infeccioso, com avaliação custo-benefício favorável ao compararmos a necessidade de tratamento destas complicações (troca do cateter, uso de antibióticos e drogas trombolíticas).

Concluindo o trabalho, afirmam os autores: “o interesse pelo PICC continua a aumentar devido sua menor incidência de complicações (comparado a outros acessos venosos), facilidade de inserção pela equipe de enfermagem (evitando a necessidade de médicos ou tempo em centro cirúrgico), maior duração do procedimento, quando confrontado com outros acessos venosos e maior possibilidade de utilização no atendimento domiciliar. Seu custo-eficácia relativo também torna atrativo o seu emprego em várias situações. Este trabalho demonstrou que a despeito da falta de uma equipe específica, o risco associado ao PICC é relativamente baixo, mesmo com o treinamento dos enfermeiros das unidades. Assim, o PICC é uma alternativa segura para infusão endovenosa para pacientes em atendimento hospitalar e domiciliar”.

 

Fonte: Funk D, Gray J, Plourde PJ. Tho-Year trends of peripherally inserted central catheter-line complications at a tertiary-care hospital: role of nursing expertise. Infect Control Hosp Epidemiol, 2001; 22:377-379.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes em 2002

 



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