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Com a longa duração da pandemia é fundamental equipar o público geral e – principalmente – os profissionais de saúde de emergência de forma que estejam médica e psicologicamente preparados.  O estudo busca examinar o impacto psicológico do COVID-19 em profissionais de saúde de emergência e entender como eles estão lidando com a pandemia de COVID-19, suas estratégias de enfrentamento do estresse ou fatores de proteção e os desafios ao lidar com pacientes com COVID-19. 

Qual a justificativa do estudo?

Desde o início da pandemia de COVID-19 estudos extensivos foram realizados sobre a epidemiologia e características clínicas de pacientes infectados, as características genômicas do vírus e questões relacionadas a governança global de saúde. Contudo, atualmente a disponibilidade de informações relacionadas ao impacto psicológico e a saúde mental das pessoas durante a pandemia de COVID-19 ainda é limitada.

Com a longa duração do surto é fundamental equipar o público geral e – principalmente – os profissionais de saúde de emergência de forma que estejam médica e psicologicamente preparados.

Qual o objetivo do estudo?

Examinar o impacto psicológico do COVID-19 em profissionais de saúde de emergência e entender como eles estão lidando com a pandemia de COVID-19, suas estratégias de enfrentamento do estresse ou fatores de proteção e os desafios ao lidar com pacientes com COVID-19. O estudo, consequentemente, busca oferecer base concreta para adaptar e executar políticas de intervenção em saúde mental para lidar com esse desafio de forma efetiva.

Qual metodologia foi empregada?

Esta investigação qualitativa usou uma abordagem de análise temática estruturada, com tentativa inicial de explorar os fatores de proteção e mecanismos de enfrentamento relacionados a COVID-19 entre os profissionais de saúde de emergência da linha de frente no Paquistão.

Foram selecionados por amostragem de conveniência e entrevistados 15 profissionais de saúde da linha de frente lidando diretamente com pacientes de COVID-19 entre 2 de abril de 2020 e 25 de abril de 2020. As entrevistadas semiestruturadas foram realizadas por um psicólogo qualificado e feitas face a face ou por telefone. Os dados coletados foram transcritos de modo ortográfico e analisados por meio de análise temática.

Quais os principais resultados?

A amostra foi composta de 15 homens entre 28 e 38 anos de idade, com experiencia de trabalho de 2-12 anos.

Os principais mecanismos de enfrentamento identificados foram:

– limitação exposição a mídia: um dos principais elementos de estresse identificado pelos participantes foi exposição prolongada a noticiários e mídias sociais. Foi ressaltado também o impacto das fake news no aumento da carga de estresse.

– limitação do compartilhamento de informações relacionadas ao trabalho realizado: outro mecanismo recorrente foi o pouco ou não compartilhamento de detalhes do trabalho realizado com pacientes de COVID-19 com a intenção de não exacerbar a ansiedade e o medo de pessoas próximas.

– suporte religioso: práticas baseadas na fé e nos sistemas de crença foram vistos como desempenhando um papel integral na rotina da amostra selecionada para lidar com a pandemia de COVID-19.

– indiferença frente a situação: um outro mecanismo de enfrentamento foi a construção de certa indiferença – i.e. de criar uma visão de que é apenas mais uma emergência entre as diversas com as quais esses profissionais são treinados para lidar com. Foi percebida como uma estratégia para a normalização do estresse, de forma a tornar a situação aparentemente menos ameaçadora.

Os principais desafios identificados foram:

– resposta psicologia: todos os participantes reconheceram medo e ansiedade; contudo, foram observados resultados mistos entre os participantes – alguns reportaram estresse excessivo enquanto outros relataram resiliência.

– descumprimento do publico / negacionismo por estudiosos religiosos: outro desafio relatado foi o descumprimento de medidas preventivas por meio do publico em geral, impulsionado pelo negacionismo de figuras de importância religiosa.

Quais as conclusões finais?

Os autores verificaram que, durante o período de estudo, a mídia foi mencionada como uma das principais fontes de ansiedade exacerbada e níveis de estresse de massa, já que a autenticidade das atualizações ou notícias compartilhadas nem sempre pode ser verificada. Além disso, a religiosidade, a paixão por servir a humanidade e ao país, considerando esta pandemia como apenas mais uma emergência e vendo o próprio papel como positivo, aumentaram a resiliência dos profissionais entrevistados.

Os resultados sugerem o lançamento de programas massivos e prolongados de conscientização publica para melhorar a informação da população em geral, visando os modos de transmissão e estratégias de prevenção juntamente com o combate a desconfiança, mitos e equívocos.

Os autores dizem também que o fortalecimento dos sistemas de saúde deve ser promovido de forma a promover informações sobre os serviços de saúde mental disponíveis.

Quais as limitações do estudo?

Os autores ressaltam como limitações: interrupções durante as entrevistas devido a deveres de trabalho de caráter urgente; impossibilidade de generalização devido ao caráter qualitativo do estudo; amostra reduzida devido ao caráter exploratório do estudo; e, limitações inerentes a abordagem de análise temática.

Quais críticas e comentários finais?

O estudo parte de uma premissa interessante e permite a extrapolação de diversas outras questões a serem estudadas. Contudo, é importante atentar-se a qualidade da amostra de estudo. Todos os entrevistados foram homens, jovens (média de 31 anos), em posição de técnico de emergência (n=12) ou motorista de ambulância (n=3). Considerando a diversidade de profissionais envolvidos nos cuidados de emergência não é possível considerar a amostra como representativa dos profissionais de saúde de emergência como um todo. Além disso, o período de estudo foi relativamente curto e com o desenrolar da pandemia novos estudos mais amplos e bem desenhados devem ser realizados.

Quanto aos resultados percebe-se a importância dada pelos participantes a influência das diversas mídias nos níveis de estresse. A pandemia de COVID-19 tem sido extremamente desafiadora também no âmbito comunicativo. Das fake news a cobertura irresponsável por diversos atores, a mídia teve e tem papel fundamental no combate a COVID-19. Em um momento histórico em que a informação circula de modo praticamente livre e instantâneo é fundamental que os profissionais de saúde saibam onde encontrar informações fidedignas e que assumam papel ativo no combate a informações equivocadas e disseminação das corretas, seja no âmbito profissional que no pessoal.

Fonte: Munawar K, Choudhry FR. Exploring stress coping strategies of frontline emergency health workers dealing Covid-19 in Pakistan: A qualitative inquiry. Am J Infect Control. 2021 Mar;49(3):286-292.

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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