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Garrotes são utilizados indiscriminadamente entre sucessivos paciente, independente de seu estado infeccioso. Estudos anteriores demonstraram que até 50% por cento dos torniquetes podem estar contaminados com S. aureus, 58% dos quais MRSA. Neste artigo os autores, do Royal Hallamshire Hospital, de Sheffield, no Reino Unido, avaliaram 200 garrotes durante um período de duas semanas. Além da cultura dos garrotes e sua inspeção visual, foi realizada cultura por impressão em placa da área da pele em contato com o garrote pela pressão de uma placa. Um questionário foi realizado avaliando a frequência da lavagem das mãos, uso de luvas e relação com a venopunção.

Dos 200 garrotes examinados, 37,5% tinha sangue visível, sendo maior o índice entre os profissionais que coletavam sangue (69,2%) e os auxiliares de enfermagem (72,7%). Dentre os microrganismos o destaque foi para os estafilococos coagulase negativo e o micrococos, isolados de 199 garrotes. O S. aureus foi observado em apenas 5,0%. Um total de 121 profissionais de saúde respondeu ao questionário. Em média eles possuíam seu garrote 1,86 anos, variando de 3 dias a 7,5 anos. Foram utilizados 9,0% dos garrotes, em áreas de maior risco para sua contaminação, como a unidade de emergência. Dentre os estudantes de medicina 9,0% utilizaram seu garrote em outro país, inclusive em locais de maior incidência de patógenos transmitidos pelo sangue, como a África e a Tailândia. Apenas 3,0% dos profissionais empregam um garrote específico para pacientes com doenças transmissíveis, sendo que 3,0% não trocam seus garrotes em hipótese alguma, mesmo quando sujos. Para a venopunção, 48,0% dos profissionais afirmaram que sempre empregam luvas e 27,0% que nunca ou quase nunca utilizam este EPI. A lavagem das mãos antes e após o procedimento é realizada habitualmente por 42,0% dos profissionais e somente depois por 55,0% dos entrevistados.

S. aureus foi isolado em apenas 5,0% dos garrotes avaliados e não foi identificado o MRSA. Neste mesmo período no hospital 172 culturas deram esta bactéria, sendo 26.2% MRSA. Não se tem informação sobre quanto tempo esta bactéria fica viável no garrote e cerca da metade dos garrotes havia sido utilizada na hora que precedeu a coleta microbiológica. Um dado interessante foi que 37,5% dos garrotes apresentava sangue visível, o que pode representar risco se houver contato com feridas, locais debridados recentemente ou áreas eczematosas. Apenas 19,0% dos entrevistados admitiu trocar seu garrote quando ele se contamina.

 

Fonte: Rourke C, Bates C, and Read RC. Poor hospital infection control practice in venepucture and use of tourniquets. Journal Hosp Infect (2001) 49: 56-61.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes em 2002.



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