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Staphylococcus aureus (SA) foi identificado como um dos principais patógenos em bebês em uma unidade de terapia intensiva neonatal. Apesar do uso de um regime de descolonização com mupirocina, novos casos de colonização continuaram a ocorrer, levando ao reconhecimento de um clone resistente à mupirocina. Os autores visaram apoiar os esforços para controlar a disseminação do clone de MRSA identificado e abordar a preocupação de ser um reservatório potencialmente contribuinte.

Qual é a justificativa do estudo?

Staphylococcus aureus (SA) foi identificado como um dos principais patógenos em bebês em uma unidade de terapia intensiva neonatal (NICU). As infecções por SA são tradicionalmente associadas a mortalidade e morbidade significativas, incluindo altas taxas de sequelas de desenvolvimento neurológico e deficiência de crescimento. Além disso, a colonização neonatal de SA resistente à meticilina (MRSA) é um fator de risco demonstrado para infecção invasiva por MRSA.

Em uma NICU onde foram implantados protocolos de culturas de vigilância SA, foi revelado que 45% dos pacientes eram colonizados por MRSA. Apesar do uso de um regime de descolonização com mupirocina, novos casos de colonização continuaram a ocorrer, levando ao reconhecimento de um clone resistente à mupirocina.

Qual foi o objetivo do estudo?

Levando em consideração que, apesar das medidas preventivas, o número de recém-nascidos colonizados continuou a se acumular, os autores realizaram uma pesquisa com o objetivo de identificar os fatores de risco para aquisição de MRSA dentro da unidade em questão. Eles visaram apoiar os esforços para controlar a disseminação do clone de MRSA identificado e abordar a preocupação de ser um reservatório potencialmente contribuinte.

Qual metodologia foi usada?

O estudo foi um estudo de caso-controle pareado retrospectivo conduzido em uma NICU quaternária no Centro Médico de Cohen; uma NICU de 57 leitos, divididos em uma seção de cuidados intensivos e um berçário de cuidados especiais. Um dia a cada semana, os bebês foram submetidos a um esfregaço de superfície combinado das narinas anteriores, umbilical e da região inguinal, que foi cultivado para SA, MSSA e MRSA. Se uma cultura crescesse, o bebê era considerado colonizado.

Foi iniciado um tratamento de descolonização consistindo em pomada de mupirocina 2% aplicada nas narinas, umbigo e pele esfolada, aplicada duas vezes ao dia por um período de 5 dias. O estudo incluiu pacientes internados na NICU entre 4 de abril de 2017 e 31 de março de 2018. Os controles foram selecionados aleatoriamente para cada caso, sendo selecionados pacientes dentro da mesma faixa etária gestacional, desde que tivessem o mesmo ou maior tempo de exposição que o paciente do caso.

Os dados sobre os fatores de risco potenciais foram extraídos dos prontuários médicos eletrônicos e incluíram dados demográficos do bebê, fatores maternos, fatores de risco neonatais no momento da admissão e fatores de risco neonatais durante a semana anterior à detecção da colonização por MRSA. Na análise primária, os casos de MRSA foram pareados 1: 1 com controles negativos. Fatores que foram significativamente associados aos resultados da cultura de MRSA em análises univariadas foram incluídos em um modelo de regressão logística condicional multivariável; sendo, a localização do leito no dia da cultura, o suporte respiratório e a pressão de colonização durante a semana anterior, incluídos no modelo de regressão logística condicional multivariável.

Quais foram os principais resultados?

Dos 72 (14,5%) bebês que se tornaram colonizados por MRSA durante o período do estudo, 50 foram incluídos e pareados com 50 controles. Quarenta e cinco destes foram colonizados com isolados resistentes à mupirocina (90%), que foram identificados como clones por padrões similares ou idênticos por meio de campo de pulso de DNA bacteriano (pulse-field gel electrophoresis).

Os resultados das análises univariadas de caso-controle combinadas revelaram que um risco significativamente maior de adquirir MRSA estava associado a bebês que estavam localizados na área de cuidados agudos no dia da detecção da colonização por MRSA, necessitaram de suporte respiratório na semana anterior à detecção da colonização, e/ou foram expostos a uma pressão de colonização mais elevada na NICU durante a semana anterior à detecção da colonização.

Quais são as conclusões e recomendações finais?

A principal descoberta deste estudo é que – além do peso ao nascer, idade gestacional, tempo de permanência e condição de nascimento que haviam sido previamente estabelecidos como fatores de risco para colonização de MRSA – no cenário de um surto de MRSA, a pressão de colonização de MRSA foi independente associada ao risco de nova colonização por MRSA. Para cada dia e unidade percentual de aumento na pressão de colonização, a probabilidade de chance de colonização com MRSA aumentou 4% e 5%, respectivamente. Além da exposição à pressão de colonização mais alta, os bebês com maior acuidade de cuidado também foram significativamente mais propensos a adquirir colonização por MRSA.

Finalmente, os pesquisadores descobriram que qualquer nível de suporte respiratório estava associado à aquisição de colonização por MRSA. O uso de suporte respiratório pode facilitar a transmissão devido ao aumento do manuseio por profissionais de saúde e / ou presença de corpo estranho na cavidade nasal ou vias aéreas.

Quais foram as limitações do estudo?

As limitações deste estudo incluem o tamanho limitado da amostra que pode ter reduzido a sensibilidade para identificar alguns fatores de risco, e que o estudo foi realizado durante um surto de MRSA com a possibilidade de que esses achados podem não ser aplicáveis a fatores de risco para colonização endêmica de MRSA. Outra limitação é o papel potencial dos profissionais de saúde com maior contato com o paciente, que não foi examinado.

Que críticas e observações?

O estudo cumpre sua proposta de analisar os fatores de risco para colonização por MRSA sob o pretexto de surto em uma NICU. Os resultados encontrados podem servir de ponto de partida para o desenvolvimento de estratégias de mitigação de risco em tal contexto e os autores são bastante cientes das limitações do próprio estudo.

Um ponto de reflexão importante que não foi considerado no estudo é o possível papel dos profissionais de saúde na cadeia de transmissão de patógenos no contexto de uma NICU.

Fonte: Balamohan A, Beachy J, Kohn N, Rubin LG. Risk factors for nosocomial methicillin resistant Staphylococcus aureus (MRSA) colonization in a neonatal intensive care unit: A Case-control study. Am J Infect Control. 2021 Nov;49(11):1408-1413

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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