Inscreva-se já.

Marra e colaboradores realizaram em um importante hospital terciário privado brasileiro um estudo avaliando melhoria no hábito de higiene das mãos e sua manutenção ao longo do tempo, em duas unidades de terapia intensiva, empregando a estratégia do “positive deviance” (desvio positivo) ou elementos de ligação. Esta abordagem envolve mudanças sociais e comportamentais e parte do princípio que existem profissionais de saúde nas unidades mais envolvidos com o controle de infecção, podendo exercer liderança sobre seus colegas, se apoiados pela equipe do controle de infecção. Os líderes foram indicados pela gerência, inicialmente contou com a participação da enfermagem, alguns médicos e depois todos os demais profissionais aderiram.

Começou com a divulgação dos cinco momentos para higiene das mãos via lembretes e cartazes. As reuniões foram quinzenais onde se debatiam exemplos de aderência a higiene das mãos e alternativas para orientação de profissionais que não aderissem a esta prática, focando comportamentos, estímulos e condições facilitadoras. As reuniões eram bastante interativas, garantido voz a todos e fechando com consensos e progressivamente foram incorporando outras medidas profiláticas das infecções, por sugestão dos próprios participantes.

A aderência à prática de higiene das mãos foi medida por contador acoplado aos dispensadores de álcool gel. Comparando-se os resultados após cerca de dois anos foi observado que não houve alteração significativa na taxa de ocupação, permanência média, relação de enfermeiros por leito e utilização de procedimentos invasivos. Houve aumento significativo na aderência a higiene das mãos e redução significativa da densidade de incidência de infecção, infecção associada a procedimentos invasivos e da densidade de pneumonia associada à ventilação mecânica. Não foi observada a mesma significância na infecção da corrente sanguínea associada a cateteres e do trato urinário associado à sonda vesical. Não há referência no artigo se outras estratégias concomitantes foram empregadas, como a utilização de bundles. Neste trabalho tivemos a participação de nossas colegas, que fazem parte do nosso corpo docente, Julia Y. Kavagoe e Claudia V. Silva, a quem parabenizamos.

Fonte: American Journal of Infection Control: vol 39, pags 1-5, fev 2011

Resenha elaborada por Antonio Tadeu Fernandes para CCIH Revista.

 

Revisado e atualizado por Antonio Tadeu Fernandes
para Memória CCIH



Ficou interessado? Conheça nossos cursos MBA's e Express