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O estudo, realizado em um hospital Israelense, utilizou a oportunidade da abertura de uma segunda ala do departamento de ortopedia para implementar novas medidas de controle e prevenção de infecção.

Qual a justificativa do estudo?

O projeto/design de um hospital é um importante fator associado com a transmissão de organismos patogênicos. As novas diretrizes da Academia de Arquitetura para Saúde – do Instituto Americano de Arquitetos – apoia fortemente a introdução do conceito de controle de infecção já nos estágios iniciais de planejamento e design de novas alas e a utilização uma Avaliação de Risco de Controle de Infecção (ICRA).

As infecções de sítio cirúrgico são infecções relacionadas aos cuidados de saúde (HAIs) e que causa morbidade, mortalidade e custos substanciais. Sendo a incidência de SSI nos departamentos de ortopedia de até 22.7% é fundamental pensar novas estratégias de controle de infecção nesse âmbito.

Qual o objetivo do estudo?

O estudo, realizado em um hospital Israelense, utilizou a oportunidade da abertura de uma segunda ala do departamento de ortopedia para implementar novas medidas de controle e prevenção de infecção. O objetivo foi determinar se uma abordagem multifacetada efetivamente influenciou o uso de antibióticos no departamento.

Qual metodologia foi empregada?

Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo, em um hospital universitário de cuidados terciários, comparando as taxas de readmissão e uso de antibióticos antes e depois da intervenção.

Durante o período pré-intervenção (2015-2016), 1 departamento geral de ortopedia estava operativo. No período pós-intervenção (2017-2018), 2 departamentos separados foram criados: um projetado para cirurgias “limpas” eletivas e outro que incluía a unidade de “feridas complicadas”.

A intervenção compreendeu 6 componentes principais:

– as diretrizes de controle de infecção locais foram reescritas;

– uma enfermeira de controle de infecção foi designada para educar, observar e dar feedback one-to-one aos profissionais de saúde;

– revisão de diretrizes, focando na importância da obtenção de culturas de qualidade durante os procedimentos cirúrgicos, gestão correta das amostras coletadas e transporte em tempo adequado ao laboratório de microbiologia;

– práticas de stewardship antibiótica foram implementadas para a seleção correta de antibióticos, antes e depois da obtenção dos resultados das culturas;

– visitas semanais aos pacientes pelo time multidisciplinar na unidade de feridas complicadas (time composto de cirurgiões ortopédicos, enfermeiras, medico de doenças infecciosas, medico de medicina interna, enfermeira de controle de infecção, farmacêutico clinico, dietista e assistente social);

– follow-up dos pacientes após alta nas 2-3 semanas seguintes a alta da unidade de feridas complicadas.

Taxas de admissão, adesão a práticas de higiene das mãos, infecções de sítio cirúrgico, e tratamento antibiótico pré versus pós-intervenção foram analisados.

Quais os principais resultados?

O número de admissões e de hospitalização nos 2 períodos não mudou. As readmissões nos 7 dias seguintes a alta diminuiu significativamente em relação ao período pré intervenção. A aderência a higiene das mãos aumentou e as infecções de sítio cirúrgico diminuíram no período pós-intervenção.

Apesar do uso total de antibióticos não ter diminuído, houve uma significativa mudança na divisão das diferentes classes de antibióticos usados antes e depois da intervenção; houve aumento no uso de antibióticos beta lactâmicos de espectro estreito – que incluiu penicilina com espectro estendido, cefalosporinas de primeira geração e cefalosporinas de segunda geração; e diminuição no uso de inibidores de beta lactamase, cefalosporinas de terceira geração e clindamicina.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Os autores concluem que a reestruturação do departamento de ortopedia facilitou melhores práticas de prevenção de infecção, principalmente quando acompanhadas da implementação de stewardship de antibióticos, resultando em uma diminuição de uso de antibióticos de amplo espectro e uma diminuição significante nas taxas de readmissão.

Os pesquisadores defendem o envolvimento dos controladores de infecção durante o planejamento e design de estruturas de saúde e projetos de renovação.

Quais as limitações do estudo?

Os autores elucidam algumas limitações. Primeiramente, este foi um estudo monocêntrico, de modo que os resultados podem não ser generalizáveis. Além disso, os investigadores não foram cegados, de forma que pode haver viés. Finalmente, foi realizada uma grande intervenção envolvendo seja o controle de infecção  e o stewardship antibiótico, contudo, os resultados se concentraram na área de stewardship.

Que críticas e observações?

O estudo parte de uma premissa muito interessante, i.e., considerar uma estratégia multifacetada e multidisciplinar na reelaboração de um departamento hospitalar. Cada vez mais pesquisas elucidam o potencial de intervenções multi e transdisciplinares nos ambientes de cuidados a saúde.

Apesar da iniciativa interessante, o estudo apresenta algumas falhas de design. Por exemplo, a não utilização de pesquisadores cegados expõe os resultados a uma grande possibilidade de viés; além disso, as análises estatísticas dos resultados realizadas foram básicas e levaram em consideração poucos parâmetros. Por fim, durante o artigo a característica multidisciplinar da intervenção se perde e o foco passa a ser majoritariamente stewardship antibiótico, sem nem ao menos citar na discussão e conclusão as mudanças arquitetônicas realizadas ou as práticas de controle de infecção adotadas.

Fonte: Keren E, Borer A, Nesher L, Shafat T, Yosipovich R, Nativ R, Shimoni O, Sagi O, Greenshpoon L, Saidel-Odes L. The impact of a multimodel approach to designing a new orthopedic department. Infect Control Hosp Epidemiol. 2021 Aug;42(8):937-942

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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