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Infecções relacionadas aos cuidados em saúde (Healthcare Associated Infections – HAIs) e resistência antimicrobiana (Antimicrobial Resistance – AMR) afetam significativamente a qualidade e segurança da prestação de cuidados em saúde. Seis dos oito componentes essenciais (Core Components) para uma estratégia eficaz de IPC, publicados pela OMS, são relevantes a nível nacional. O objetivo do estudo foi realizar uma análise situacional global em todas as 6 regiões determinadas pela OMS para avaliar o nível de implementação dos componentes essenciais de IPC a nível nacional.

Qual a justificativa do estudo?

Infecções relacionadas aos cuidados em saúde (Healthcare Associated Infections – HAIs) e resistência antimicrobiana (Antimicrobial Resistance – AMR) afetam significativamente a qualidade e segurança da prestação de cuidados em saúde. Os seus impactos na morbidade e mortalidade já foram bem descritos, incluindo o fardo humano e econômico que representam para a sociedade. O fortalecimento da prevenção e controle de infecção (Infection Prevention Control – IPC) é essencial para combater as HAIs, AMR e para prevenir/responder a surtos.

Qual o objetivo de estudo?

Seis dos oito componentes essenciais (Core Components) para uma estratégia eficaz de IPC, publicados pela OMS, são relevantes a nível nacional. O objetivo do estudo foi realizar uma análise situacional global em todas as regiões determinadas pela OMS para avaliar o nível de implementação dos componentes essenciais de IPC a nível nacional.

Qual metodologia foi empregada?

Entre 1º de junho de 2017 e 30 de novembro de 2018, foi realizado um estudo transversal em vários países, com base em entrevistas semiestruturadas com pontos focais nacionais de IPC nos ministérios e organizações governamentais de países que se comprometeram com o desafio da OMS ‘Clean Care is Safer Care’. O estudo foi conduzido com base nas guidelines STROBE (Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology) e o questionário desenvolvido em colaboração com experts a nível internacional. Os resultados e as diferenças entre as regiões e os níveis de renda nacional foram resumidos por meio de estatísticas descritivas.

Quais os principais resultados?

Oitenta e oito dos 103 (85,4%) países elegíveis participaram; 22,7% eram de baixa renda, 19,3% de renda média-baixa, 23,9% de renda média-alta e 34,1% de economias de alta renda.

Um programa nacional de IPC existia em 62,5%, mas apenas 26,1% tinham um orçamento dedicado. As diretrizes nacionais estavam disponíveis em 67,0%, mas apenas 36,4% e 21,6% dos países tinham uma estratégia de implementação e avaliaram o cumprimento das diretrizes, respectivamente.

O currículo de graduação em IPC e o treinamento em serviço e pós-graduação em IPC foram relatados por 35,2%, 54,5% e 42% dos países, respectivamente. Foram observadas diferenças significativas de acordo com o nível de renda dos países e regiões. Programas de mestrado e doutorado em IPC estavam disponíveis em 18.2% dos países.

A vigilância de infecções associadas aos cuidados de saúde foi relatada por 46,6% dos países, com diferenças significativas variando de 83,3% (alta renda) a zero (baixa renda); o monitoramento e feedback dos indicadores de IPC foi reportado por 65,9%.

Apenas 12,5% dos países tinham todos os componentes principais implementados.

Quais as conclusões e recomendações finais?

A maioria dos países tem programa e diretrizes de IPC, mas poucos investiram recursos adequados e os traduziram em implementação e monitoramento, especialmente em países de baixa renda. Comprometimento contínuo e de alto-nível é urgente e fundamental para assegurar a implementação eficaz dos componentes essenciais de IPC da OMS.  O apoio da liderança em nível nacional e global é indispensável para alcançar a implementação dos componentes essenciais em todos os países.

Quais as limitações do estudo?

Os autores ressaltam como limitação: a impossibilidade de atingir o número amostral desejado e o número particularmente baixo de respostas do sudeste asiático; possível viés de seleção devido a inclusão apenas de países comprometidos com o desafio “Clean Care is Safer Care”; dependência de self-report por parte de pontos focais a nível nacional na coleta de dados que podem ou não refletir a realidade do país.

Para aprofundamento sobre os core components da OMS recomendo consultar a série, já publicada, na revista CCIH MBA que detalha cada um dos componentes essenciais como atualizados em 2020.

Que críticas e observações finais?

IPC é uma ação conjunta, que requer a colaboração ativa e incentivo em diversos âmbitos. Este estudo traz uma reflexão importante sobre a situação a nível global e escancara a necessidade de transformar guidelines, protocolos e recomendações em movimentações concretas. Não basta que elas existam, é necessário que haja verba, estrutura e profissionais qualificados para IPC de qualidade.

Fonte: Tartari E, Tomczyk S, Pires D, Zayed B, Coutinho Rehse AP, Kariyo P, Stempliuk V, Zingg W, Pittet D, Allegranzi B. Implementation of the infection prevention and control core components at the national level: a global situation analysis. J Hosp Infect. 2021 Feb; 108: 94-103

Sinopse por: Maria Julia Ricci

Contato: [email protected]



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