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Centers for Disease Control and Prevention (CDC) lançou as então chamadas Precauções Universais em 1987, que foram progressivamente alteradas até a elaboração das Precauções Padrão em 1996. O conhecimento dessas medidas e a aderência dos profissionais de saúde às suas recomendações reduz a ocorrência de acidentes ocupacionais, de acordo com vários estudos. O objetivo deste trabalho foi identificar que fatores estão associados a uma maior adequação destes profissionais às suas normas preventivas.

A despeito do estabelecimento das Precauções Padrão e sua divulgação, vários estudos confirmam a baixa aderência, variando seu emprego em apenas 16 a 65% das situações previstas. Por exemplo, 55% dos enfermeiros e 81% dos médicos não empregam barreiras no momento de exposição muco cutânea. Os médicos relatam que frequentemente deixam de empregar luvas (22%), máscaras (19%) ou óculos (13%). Dentre as principais razões alegadas para esta verdadeira “desobediência padrão” foi destacado: interferência com o trabalho, não disponibilidade do EPI no local do atendimento, inconveniência do seu uso, inabilidade para seu emprego e desconhecimento do seu papel preventivo.

Um questionário de sete páginas foi enviado em 1996 aos hospitais dos estados de Iowa e Virgínia, com um retorno das informações de 62%. Foram averiguados os métodos de educação e treinamento, frequência das ações educativas, a vigilância dos acidentes pérfuro-cortantes, análise da complacência com as medidas recomendadas pelas Precauções Padrão e a percepção da equipe de controle de infecção da adequação do treinamento. Além de serem enviados para os profissionais de saúde, os questionários também foram encaminhados à direção da instituição, controle de infecção, direção de enfermagem, responsável pelos setores de apoio e diretor do laboratório clínico.

As questões deveriam ser respondidas considerando a graduação da escala de Likert, variando do concordo plenamente (5 pontos) até o discordo totalmente (1 ponto). Para facilitar a análise de muitos parâmetros, as respostas foram agrupadas em favoráveis (concordo plenamente e concordo) e desfavoráveis (indiferente, discordo e discordo totalmente). As variáveis foram testadas separadamente em sua associação com a incidência de acidentes e a percepção de treinamento adequado pelos profissionais de saúde, classificados em pessoal de apoio, enfermagem, técnicos de laboratório e médicos. Os dados foram consolidados procurando avaliar os seguintes parâmetros: comprometimento da direção, retroalimentação, demanda de trabalho, comitê de segurança e disponibilidade dos equipamentos de proteção individual.

Dentre as instituições que responderam o questionário, 36% oferecem programas de treinamento dos novos funcionários sobre os risco ocupacionais relacionados a patógenos transmitidos pelo sangue e apenas 23% fazem treinamento regular do seu staff. A grande maioria (86%) emprega métodos alternativos para educação, onde se destacam os boletins informativos (72%).

Estudos anteriores identificaram vários fatores que influenciam a aderência às recomendações, destacados a seguir: apoio gerencial; organização e eficácia do comitê de segurança ocupacional; presença de um “clima preventivo” na empresa; envolvimento e liderança da supervisão; adequação do treinamento e monitorização de seus resultados práticos; percepção do risco pelo profissional; disponibilidade do EPI adequado; e retroalimentação da aderência às medidas preconizadas.

Os resultados deste estudo são consistentes com os trabalhos anteriores. Foi observado que o clima institucional e o apoio gerencial tem um papel importante na adequação entre o treinamento e a aderência às recomendações, destacando-se a importância dos supervisores na orientação e reforço das práticas adequadas. Também é importante a disseminação de informação sobre os risco dos patógenos transmitidos pelo sangue. Os EPIs devem estar disponíveis no local onde são necessários e treinamento especial para seu uso deve ser ministrado principalmente para os profissionais de apoio. Foi comprovado uma menor incidência de acidentes onde os esforços de treinamento foram mais amplos e efetivos.

 

Fonte: McCoy KD et al: Monitoring adherence to Standard Precautions. Am J Infect Control 2001; 29: 24-31.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes em 2002.



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