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As recentes aglomerações na Copa do Mundo FIFA Qatar 2022, simultaneamente com um evento envolvendo camelos, representam um importante risco de transmissão de outro coronavírus, o MERS-CoV-2. Se atualize conosco, através da leitura deste artigo publicado na Lancet, em 13 de dezembro de 2022.

Entenda o risco atual de contaminação pelo MERS-CoV

Reuniões de muitas pessoas, como eventos esportivos e festivais, criam condições ideais para a transmissão de uma série de doenças infecciosas entre humanos, que pode se espalhar rapidamente globalmente devido à facilidade das viagens. No Catar, dois eventos de concentração em massa estão sendo realizados simultaneamente, o campeonato da Copa do Mundo da FIFA 2022 e o concurso de beleza de camelos do Camel Mzayen Club. Estes eventos têm atraído centenas de milhares de pessoas de dentro do Oriente Médio e de todo o mundo. Muitos estão participando de ambos os eventos, interagindo estreitamente uns com os outros e com os camelos, criando condições ideais para a transmissão de patógenos zoonóticos associados a camelos, com potencial epidêmico. Esses patógenos incluem o altamente letal MERS-CoV. Os camelos dromedários no Oriente Médio são um grande reservatório de MERS CoV. Os seres humanos esporadicamente infectam-se por contato direto ou indireto com camelos infectados com MERS-CoV ou produtos lácteos de camelo.

Mas o que é MERS-CoV e o que se sabe até então sobre o surto de casos?

MERS-CoV foi relatado pela primeira vez como um novo patógeno de seres humanos em 2012, originário da Arábia Saudita. Ele é o mais letal dos três coronavírus zoonóticos (ou seja, MERS-CoV, SARS-CoV e SARS-CoV-2) que causam surtos em humanos. Em 1º de novembro de 2022, 2600 pessoas foram relatadas com confirmação laboratorial da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), incluindo 894 mortes (ou seja, uma taxa de letalidade de 34%), globalmente de 27 países. Embora a maioria das infecções tenha ocorrido no Oriente Médio, oito países da Europa também relataram infecções confirmadas, todas com viagens relacionadas para a Península Arábica. Em maio de 2022, autoridades do Catar relataram à OMS dois indivíduos com MERS, dos quais um morreu. Ambos tinham infecções primárias por MERS-CoV, contato com camelos e haviam ingerido leite cru de camelo. Com o MERS-CoV sendo endêmico em camelos no Catar, sede simultânea da Copa do Mundo da FIFA 2022 e do concurso de beleza de camelo, estamos diante de um risco de transmissão e globalização do MERS-CoV.

Quais foram as medidas tomadas até então?

Para reduzir o risco de disseminação do MERS-CoV, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as autoridades do Catar transmitiram extensas informações de saúde para viajantes ao Qatar. Esta mensagem inclui evitar contato direto com camelos e evitar consumir leite de camelo cru ou carne de camelo. No entanto, essas mensagens são facilmente ignoradas no ambiente festivo e competitivo. Além disso, contato entre dromedários importados e locais participantes do concurso, proprietários de camelos e participantes de ambos os eventos é inevitável, assim como o consumo de alimentos populares no Catar, que inclui produtos lácteos de camelo.

Vigilância proativa para MERS-CoV durante e após a Copa do Mundo da FIFA 2022 e o festival de desfile de camelos é essencial, pois infecções não detectadas podem causar surtos globais substanciais. Um caso notável foi o grande surto de MERS-CoV em 2015 na Coreia do Sul, onde um indivíduo da Coreia do Sul visitou quatro países no Oriente Médio e adoeceu após retornar a Seul. Esperando em uma sala de emergência superlotada do hospital, a infecção se espalhou para outras pessoas e os eventos de super propagação do MERS-CoV resultantes resultaram em 184 infecções com 36 mortes. Embora este grande surto fora do Oriente Médio deveria ter sido um alerta para autoridades globais de saúde pública, a atenção ao MERS-CoV foi desviada ao longo do tempo por surtos do vírus Ebola, Zika e COVID-19.

E agora que a Copa Acabou? – Risco de casos de MERS-CoV ao redor do mundo

O risco dos visitantes do Catar voltarem para seus países de origem infectados com MERS-CoV permanece real. Todas as autoridades de saúde pública e profissionais de saúde, não apenas no Oriente Médio, mas em todos os países de origem dos participantes dos eventos, devem ter maior conscientização sobre a possibilidade de infecção por MERS-CoV. Embora a OMS não recomende triagem para MERS-CoV em pontos de entrada, serviços de saúde devem permanecer sempre vigilantes, especialmente no mês seguinte aos dois eventos. Ao voltarem, os viajantes devem ser aconselhados a procurar atendimento médico imediatamente se eles se sentirem doentes, e eles devem informar o profissional de saúde sobre sua recente viagem ao Catar. O surto de MERS-CoV sul-coreano destacou os problemas de falta de consciência clínica sobre a possibilidade de MERS e as lacunas nas medidas de controle de infecção, que são fatores determinantes para surtos nosocomiais. A transmissão de humano para humano de MERS-CoV em ambientes de saúde tem sido associada a atrasos no reconhecimento dos primeiros sintomas da infecção por MERS-CoV, triagem lenta e atrasos na implementação de medidas de prevenção e controle de infecções. Assim, a identificação precoce de MERS-CoV e a rápida implementação de medidas apropriadas serão cruciais para evitar surtos.

Ações da OMS

A OMS implementou estratégias globais para a prevenção e controle de doenças propensas a epidemias, como: Estratégia para Eliminar as Epidemias de Febre Amarela 2017–2026; acabar com a Cólera, um roteiro global para 2030; Quadro de preparação para gripe pandêmica; e a Estratégia Global para Influenza 2018–2030. MERS-CoV continua a circular em camelos e humanos no Oriente Médio e é destaque na lista Blueprint da OMS, de patógenos com potencial epidêmico. Com milhões de camelos dromedários em todos os continentes servindo como importantes reservatórios potenciais de MERS-CoV, a contínua evolução dos coronavírus, detecção intermitente de infecções humanas MERS, o MERS-CoV está aqui para ficar e chegou a hora da OMS incluir uma Estratégia Global para preparação para MERS-CoV. A avaliação de risco para qualquer reunião de massa deve incluir a consideração de outros eventos realizados no mesmo local e se a combinação pode levar a riscos aumentados. As recomendações da OMS para avaliações de risco à saúde pública em eventos com a reunião de muitas pessoas devem incluir conselhos para países anfitriões para considerarem cuidadosamente os riscos de realizar eventos simultâneos com aglomeração de pessoas e animais, para minimizar a transmissão e globalização de patógenos zoonóticos.

Fonte: Azhar EI, Hui DS, McCloskey B, El-Kafrawy SA, Sharma A, Maeurer M, Lee SS, Zumla A. The Qatar FIFA World Cup 2022 and camel pageant championships increase risk of MERS-CoV transmission and global spread. Lancet Glob Health. 2022 Dec 13:S2214-109X(22)00543-5. doi: 10.1016/S2214-109X(22)00543-5. Epub ahead of print. PMID: 36525983.

Link: https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S2214-109X%2822%2900543-5

Traduzido por: Laura Czekster Antochevis

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Links relacionados:

Problemas de saúde pública em eventos de massa –

https://www.thelancet.com/pdfs/journals/lancet/PIIS0140-6736(19)30501-X.pdf

OMS – MERS

https://www.who.int/emergencies/disease-outbreak-news/item/2022-DON370OMS, OPAS E GOARN introduzem no Brasil nova ferramenta de controle de surtos de doenças para epidemiologistas –

https://www.ccih.med.br/oms-opas-e-goarn-introduzem-no-brasil-nova-ferramenta-de-controle-de-surtos-de-doencas-para-epidemiologistas/

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