Percepções que Moldam a Prevenção das IRAS

Sua equipe conhece o protocolo. Por que a prevenção ainda falha? A resposta pode estar nas dificuldades que ninguém pergunta — e nos riscos que todos aprenderam a aceitar.

Essa é a provocação do e-book “Percepções que Moldam a Prevenção das IRAS”, do Prof. Antonio Tadeu Fernandes, Instituto CCIH+ e FAMESP. Com o subtítulo “Uma nova visão para a CCIH: contribuições da pesquisa qualitativa para a segurança do paciente e a gestão do controle de infecções”, a obra mostra como compreender o comportamento humano e a organização do trabalho pode ajudar a transformar recomendações em práticas mais seguras.

Ao longo de 12 capítulos, o livro conecta indicadores, percepção de risco, liderança, educação, condições de trabalho e experiências de profissionais, pacientes e familiares. Apresenta também métodos para investigar dificuldades e transformar os achados em intervenções acompanhadas por resultados.

É uma leitura especialmente relevante para integrantes da CCIH, profissionais de CME, enfermeiros, médicos, farmacêuticos, microbiologistas, equipes de segurança do paciente, qualidade e gestores hospitalares.

O que os indicadores não conseguem explicar?

Uma taxa identifica a dimensão de um problema, mas não esclarece, sozinha, por que ele persiste. A pesquisa qualitativa investiga experiências, decisões e relações por meio de entrevistas, grupos focais e observação. Ela complementa a vigilância epidemiológica, aproximando a CCIH das condições em que o cuidado realmente acontece.

Dica prática: diante de um indicador insatisfatório, acrescente uma pergunta à análise: “Em quais situações essa prática se torna mais difícil e o que acontece nesses momentos?”.

Por que conhecer uma recomendação não garante sua aplicação?

O e-book apresenta o modelo COM-B, que relaciona comportamento a capacidade, oportunidade e motivação. O profissional pode conhecer a técnica e desejar executá-la, mas enfrentar falta de materiais, interrupções ou pressão assistencial. Reconhecer a barreira permite escolher uma resposta adequada.

Dica prática: antes de programar outro treinamento, investigue se a dificuldade está no conhecimento, na habilidade, nas condições de execução ou nas crenças da equipe.

Quando um atalho passa a parecer seguro?

A normalização dos desvios ocorre quando uma prática inadequada se repete sem consequências negativas imediatamente percebidas e passa a ser aceita. A invisibilidade dos microrganismos e o intervalo entre transmissão e infecção favorecem essa falsa segurança.

Dica prática: utilize expressões como “sempre fizemos assim” e “nunca aconteceu nada” como pontos de partida para examinar o processo com a equipe. A ausência de dano aparente merece investigação, não serve como comprovação de segurança.

Sua equipe pode apontar um risco sem medo?

Liderança e cultura de segurança aparecem nas decisões cotidianas: ouvir uma preocupação, corrigir uma falha de abastecimento, aceitar um questionamento e responder a problemas comunicados. A segurança psicológica permite que profissionais expressem dúvidas e alertas sem humilhação ou retaliação injusta.

Dica prática: pergunte aos trabalhadores o que aconteceu na última vez em que comunicaram um risco. A resposta pode revelar mais sobre a cultura local do que uma declaração institucional de compromisso.

O treinamento mudou a prática ou apenas gerou uma lista de presença?

A obra diferencia transmissão de informação, aprendizagem e mudança de comportamento. Discute simulação, análise de casos, educação no ponto de assistência e devolutivas específicas, articuladas à melhoria das condições de trabalho.

Dica prática: escolha uma dificuldade real do setor, trabalhe-a em uma atividade breve e observe posteriormente se a conduta mudou. Utilize os obstáculos encontrados para ajustar tanto a educação quanto o processo.

Quem precisa ser ouvido para que a prevenção funcione?

O livro dedica atenção aos profissionais da CCIH, aos enfermeiros de ligação e às equipes de CME, limpeza e serviços de apoio. Esses trabalhadores conhecem falhas de comunicação, pressões por produtividade e improvisações que podem permanecer ausentes dos relatórios gerenciais.

Dica prática: inclua representantes desses setores na análise de um processo e pergunte: “Que dificuldade se repete aqui e ainda não chegou a quem pode resolvê-la?”. Para os enfermeiros de ligação, estabeleça atribuições, tempo e apoio compatíveis com a função.

Como pacientes e familiares percebem a infecção e o isolamento?

Uma IRAS pode afetar confiança, autonomia, renda e vida familiar, além da recuperação clínica. O e-book discute comunicação, estigma, continuidade do cuidado e participação do paciente, preservando as responsabilidades dos profissionais e da instituição.

Dica prática: após uma orientação, peça ao paciente que explique, com suas palavras, o que compreendeu e quais dúvidas permanecem. Essa conversa ajuda a identificar falhas na explicação.

Como transformar escuta em melhoria concreta?

Os capítulos sobre diagnóstico institucional e intervenção mostram como combinar relatos, observação, documentos e indicadores. A proposta é identificar condições modificáveis, construir soluções com os envolvidos, testar em pequena escala e acompanhar sua aplicação.

Dica prática: para cada problema priorizado, defina uma ação, um responsável, um prazo e uma forma de verificar o resultado. Depois, devolva à equipe o que mudou a partir de sua contribuição.

O futuro da prevenção também passa pela compreensão das pessoas

A obra encerra discutindo ciência da implementação, automação, inteligência artificial, sustentabilidade e prevenção além do hospital. O desafio é utilizar novas ferramentas para ampliar a capacidade de investigar e agir, mantendo o contato com as equipes e a compreensão do contexto assistencial.

Se sua instituição repete campanhas, mantém protocolos atualizados e ainda enfrenta dificuldades de adesão, este e-book oferece perguntas e caminhos para aprofundar o diagnóstico.

Baixe “Percepções que Moldam a Prevenção das IRAS” e descubra como incorporar a escuta à gestão do risco infeccioso. Leve essa discussão à próxima reunião da CCIH e identifique uma barreira que sua equipe pode começar a investigar.

Acesse o Observatório do Instituto CCIH+ para baixar o e-book.

Percepções que Moldam a Prevenção das IRAS

Instituto CCIH+: Experiência, Credibilidade e Inovação sempre ao seu lado.

Autor:

Antonio Tadeu Fernandes:

Médico pela FMUSP com residência em Moléstias Infecciosas no HCFMUSP e mestrado em Medicina Preventiva na FMUSP.

Ex-presidente da APECIH e da ABIH.

Autor do livro: “Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área da Saúde” (Prêmio Jabuti como melhor publicação em Ciências Naturais e Saúde).

CEO do Instituto CCIH+

https://www.linkedin.com/in/mba-gest%C3%A3o-ccih-a-tadeu-fernandes-11275529/

https://www.instagram.com/tadeuccih/

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