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Uma etapa crítica no procedimento de transplante, ainda são limitadas e conflitantes as informações sobre a prevalência de contaminação desses produtos; e seu manejo ideal permanece obscuro. O objetivo do estudo foi determinar a prevalência da contaminação microbiana em uma grande coorte de receptores de células-tronco autólogas; além disso, visou descrever o manejo e o resultado obtido nos receptores que receberam produtos contaminados.

Qual a justificativa do estudo?

O transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas após quimioterapia de alta dose (Autologous haematopoietic stem cell transplantatio following high dose chemotherapy – ASCT/HDCT) é uma opção eficaz para a consolidação dos resultados terapêuticos em pacientes com diversas patologias – como mieloma múltiplo, linfoma, leucemia mieloide aguda e pacientes de tumor de linha germinativa de baixo risco. Mesmo sendo o controle de qualidade microbiana dos produtos de células-tronco hematopoiéticas e células progenitoras (Haematopoietic stem and Progenitor Cell Products – HPCPs) uma etapa crítica no procedimento de transplante, ainda são limitadas e conflitantes as informações sobre a prevalência de contaminação desses produtos; e seu manejo ideal permanece obscuro.

Qual o objetivo do estudo?

O objetivo do estudo foi determinar a prevalência da contaminação microbiana em uma grande coorte de receptores de células-tronco autólogas; além disso, visou descrever o manejo e o resultado obtido nos receptores que receberam produtos contaminados.

Qual metodologia foi empregada?

Neste estudo foram analisados retrospectivamente os dados de produtos de células tronco contaminados no período de 1º de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2019.

Os autores revisaram registros médicos dos pacientes do Hospital Universitário de Bern (Suíça) que receberam HPCPs contaminados, extraindo as suas características basais, informações sobre o manejo e os resultados clínicos obtidos.

Foram coletadas: características demográficas do paciente; neoplasia subjacente (distinção entre entidades hemato-oncológicas e tumores sólidos); origem celular das células transplantadas – medula óssea (bone marrow – BM) ou células progenitoras de sangue periférico (peripheral blood progenitor cells – PBPCs); provável etapa de contaminação; administração, tipo de profilaxia e terapia antimicrobiana; sintomas relacionados a infusão, ocorrência de febre e positividade de culturas após infusão; complicações infecciosas; e mortalidade hospitalar.

Os pacientes foram acompanhados até a última consulta oncológica, permitindo análise de remissão, recidiva e mortalidade a longo prazo.

Quais os principais resultados?

Durante o período de estudo foram obtidos 3.935 HPCPs provenientes de 1659 pacientes.

Entre as amostras cultivadas 25 (0.6%) estavam contaminadas; sendo 24 provenientes de PBPCs e 1 de BM. Em 15 casos as culturas positivas foram identificadas no momento de aférese e nos outros 10 a identificação ocorreu mais tardiamente (antes da criopreservação e/ou antes da infusão após o descongelamento do produto crio conservado).

Seis das 25 amostras foram contaminações poli microbianas, sendo o total de microrganismos isolados diversos cultivados 34. 76% dos contaminantes foram considerados contaminantes cutâneos típicos – com estafilococos coagulase-negativo (Coagulase Negative Staphylococcus – CoNS) sendo a principal causa de contaminação (68%), seguido de Bacillus spp. (6%) e Cutibacterium acnes (3%).

Enxertos contaminados foram utilizados em 22 pacientes – sendo que destes 16 estavam sob profilaxia com trimetoprima-sulfametoxazol (trimethoprim-sulfamethoxazole – TMP-SMX) e outros 2 sob terapia antibiótica por outros motivos. Notavelmente, nenhum dos 22 recipientes teve febre associada a infusão (ou seja, no dia 0) mesmo que depois 21 tenham tipo febre neutropênica. Os episódios de febre neutropenica não foram relacionados a contaminação do enxerto – as hemoculturas permaneceram negativas, mostraram crescimento de outro patógeno ou relevaram o mesmo patógeno com um padrão de resistência diferente.

Quais as conclusões e recomendações finais?

A contaminação de HPCPs foi um evento raro na coorte de estudo e foi majoritariamente devido a contaminantes da pele; sendo consistente com relatórios anteriores de outras pesquisas.

Os autores trazem uma reflexão sobre a prática de infusão com amostras contaminadas em pacientes com imunodeficiência transitória subsequente. Eles defendem que apesar de ser uma prática que pode levantar preocupações entre os médicos, de acordo com a literatura cientifica, complicações infecciosas após infusão de enxertos autólogos ou halogênicos contaminados são incomuns. Concluem dizendo que, dada a raridade de consequências significativas, é questionável se as culturas de rotina são necessárias neste cenário e se são custo-efetivas.

Quais as limitações do estudo?

O estudo é limitado por seu design retrospectivo e unicêntrico, de forma que os resultados podem não ser representativos e reproduzíveis em outros centros. Os dados obtidos neste estudo são, portanto, restritos a este ambiente específico. Em adição, os autores não conseguiram identificar qual/quais etapas do processo pudessem causar contaminação dos HPCPs.

Que críticas e observações?

A análise retrospectiva é uma ferramenta muito útil para o estudo de fenômenos de baixa incidência e podem proporcionar diversos insights sobre os cuidados de saúde. É fato conhecido que o questionamento de práticas é parte fundamental do processo científico e ponto de partida para mais estudos que confirmem ou refutem a hipótese do pesquisador.

Este estudo traz com certeza pontos de reflexão sobre as práticas atuais, contudo, levando em conta as limitações não é possível generalizar estes resultados. Sendo assim, antes de qualquer alteração da prática clínica, é fundamental que sejam realizados estudos clínicos apropriados em diversos contextos que permitam a realização de afirmações com uma maior margem de segurança.

Fonte: Damonti L, Buetti N, Droz S, Bacher U, Pabst T, Taleghani BM, Baerlocher GM, Marschall J. Prevalence and significance of bacterial contamination of autologous stem cell products. J Hosp Infect. 2021 Aug;114:175-179.

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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