Inscreva-se já.

Os índices de Infecção do Sítio Cirúrgico podem ser usados como indicadores de qualidade em instituições de saúde, no entanto comparação entre instituições só é válida se forem usados critérios padronizados para a coleta de dados.

Os quatro principais itens a serem lembrados com relação aos critérios utilizados são:

 

1. ser validado

2. ser de fácil interpretação

3. ser confiável

4. ser compatível com as definições usadas por outros serviços

 

Este estudo avalia a confiabilidade e validade das definições e metodologias utilizadas para identificação de Infecção do Sítio Cirúrgico, através de pesquisa realizada em publicações da língua inglesa compreendidas entre 1993 e 1999, realizadas em cinco bases de dados CINAHL, medline, The Cochrane Library e Heath STAR. O estudo foi realizado com base em 2.490 trabalhos dos quais apenas 90 de 20 países diferentes, foram analisados.

A pesquisa avaliou evidências na validade da definição e monitorização de IFO, os quais foram examinados por dois avaliadores diferentes.

A validade compreende conteúdo, critérios e construção, observando-se se uma definição correlaciona-se com outra usada e aceita como padrão ouro na mesma população para o mesmo evento. Foram avaliados nos estudos detalhes do procedimento cirúrgico, definição de IFO, detalhes da avaliação da FO, escala usada, validade e reprodutibilidade, praticidade e aceitabilidade da definição do método.

Definição de IFC:

Foram encontradas 41 definições diferentes, sendo o componente encontrado com maior frequência a presença de secreção purulenta. Dos 41, 8 estudos aceitavam como critério se houvesse cultura positiva, e 12 consideravam mesmo na ausência de cultura. Eritema foi aceito por 8 estudos dos quais 3 determinavam valores para sua extensão. Cinco definições padrão foram aceitas, três publicadas por especialistas britânicos (Public Heath Laboratory Service – PHLS, The Surgical Infection Society Study Group – SISG e National Prevalence Survey Study Group – NPS), e duas pelos Estados Unidos CDC 1988 e 1992.

A definição do PHLS formulada por Glenister et al (1992) define como critérios de infecção: secreção purulenta ou exudação da ferida, ou avaliação direta da ferida. SISG e NPS, incluem dados adicionais como: febre, dor, edema e margem extensa de eritema. O NPS considera ainda que drenagem clara de uma ferida não indica infecção de ferida operatória, a menos que exista celulite.

O CDC considera infecção de ferida operatória se presentes:

Secreção purulenta na superfície da FO;

Cultura positiva para tecidos ou fluidos coletados de forma asséptica da superfície da FO com mais um dos seguintes: dor ou sensibilidade, edema localizado, rubor ou calor local, ou ferida explorada pelo cirurgião a menos que a cultura seja negativa;

Diagnóstico de Infecção de FO feito pelo médico.

Durante o estudo foram identificadas 30 escalas para avaliar infecção de sítio cirúrgico sendo a mais aceita delas foi a ASEPSIS, criada em 1986 por Wilson et al. para uniformizar os relatos de infecção de ferida operatória. Os itens observados foram presença de secreção serosa, eritema, exudato purulento, deiscência de sutura, cultura positiva e internação prolongada. Os pontos são atribuídos conforme a porção da ferida que está infectada, no entanto esta técnica requer observação diária da FO por 5-7 dias.

O critério mais comumente utilizado, secreção purulenta, requer o julgamento de dois fatores: se há ou não secreção e se esta é ou não purulenta. Conforme alguns estudos utilizarmos como determinante a presença de secreção purulenta como indicativo de infecção, não serão identificadas todas as infecções.

A escala de Leigh divide a infecção do sítio cirúrgico em três níveis de gravidade:

Grau 1 – diagnóstico clínico com secreção serosa sem avaliação da ferida.

Grau 2 – secreção purulenta e análise superficial da ferida.

Grau 3 – secreção purulenta com exploração da ferida.

Na escala ASEPSIS o escore é dado conforme a porção da ferida que é afetada na infecção. As duas foram comparadas em sensibilidade e especificidade, ainda valores preditivos positivos e negativos foram calculados considerando-se o número de casos que necessitaram de mudança na conduta devido a infecção. A escala do ASEPSIS foi mais sensível e específica do que a escala de Leigh.

A segunda validação do estudo foi realizada comparando-se as definições do CDC (1988 e 1992) e NPS com a escala do ASEPSIS, foram analisadas 93 feridas operatórias com escore do ASEPSIS maior que 20 pontos. Destas 22 (24%) ficaram sem diagnóstico quando usados os critérios do CDC e 18 (19%) quando usados critérios do NPS.

Segundo Gurevich, cultura positiva deveria ser excluída dos critérios do CDC uma vez que não se sabe em que condições foi colhida a amostra, ainda acredita que os critérios dor e sensibilidade são muito subjetivos e estão sujeitos a idade e estado de consciência do paciente em questão.

O CDC é também o único a aceitar diagnóstico clínico como critério único de infecção, mas há evidências de falsos positivos na literatura, foi sugerido que fosse apenas sugestivo da presença de infecção.

A presença de secreção purulenta foi verdadeira para apenas 56% dos pacientes categorizados através da escala do ASEPSIS o que denota a dificuldade em se manter a presença de secreção purulenta como critério único de infecção.

Discussão:

A definição da escala usada pode ser válida é confiável e no entanto ser trabalhosa e impopular. O uso do critério “presença de secreção purulenta” é rápido e fácil de ser usado, mas pode subestimar os verdadeiros índices de infecção pois é pouco sensível quando comparada a outras definições e técnicas. A escala ASEPSIS é sensível e confiável no âmbito hospitalar podendo ter sua eficácia reduzida quando transportada para a auto avaliação do paciente externo além de ser trabalhosa e impraticável na rotina diária dos profissionais de SCIH.

Não há portanto, padrão ouro no diagnóstico de IFC, pois o julgamento do das condições da ferida é subjetivo e sujeito a variações de acordo com o observador. Vale lembrar que a padronização de uma definição em vários serviços permite a comparação dos índices, no entanto a definição do CDC, atualmente largamente utilizada não foi validade por este estudo.

 

Fonte: bruce J, Russell EM, Molison J, Krukowski. The quality of measurement of surgical wound infection as the basis for monitoring: a systematic review. J Hosp Infect (2001) 49: 99-108.

Resumido por: Cristiane Schmitt em 2002.



Ficou interessado? Conheça nossos cursos MBA's e Express