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Compreender a aquisição nosocomial, surtos e cadeias de transmissão é fundamental para garantir que as medidas de prevenção de infecção sejam eficazes no controle de SARS-CoV-2 na área da saúde.

Qual a justificativa do estudo?

As infecções por COVID-19 com início dentro do ambiente hospitalar (Hospital-onset COVID-19 Infections – HOCIs) refletem uma falha nos sistemas de saúde em prevenir a transmissão e aquisição de infecções; além disso, estão associadas a um excesso de morbidade e mortalidade tanto de pacientes quanto de profissionais de saúde. Compreender a aquisição nosocomial, surtos e cadeias de transmissão é fundamental para garantir que as medidas de prevenção de infecção sejam eficazes no controle de SARS-CoV-2 na área da saúde; para tal há uma necessidade de definições padronizadas para categorizar os casos de HOCIs, bem como sistemas de vigilância que possam ser adotados globalmente e integrados as atividades de vigilância de rotina existentes para outras infecções relacionadas a assistência a saúde (HAIs)

Qual o objetivo do estudo?

O objetivo principal desta revisão sistemática foi explorar e descrever a literatura atual em vigilância de HOCIs, de modo a informar e permitir o desenvolvimento de uma abordagem padronizada.

Qual a metodologia utilizada?

Foi realizada uma revisão sistemática de literatura. Diversas bases de dados – Medline, EMBASE, Cochrane Database of Systematic Reviews, Cochrane Resgister of Controlled Trials e MedRxiv – foram pesquisadas com critérios de pesquisa amplos até 30 de novembro de 2020. Foram incluídos artigos relacionados a sistemas de vigilância de HOCIs e extraídos dados referentes as definições, incidência, tipos de sistemas de vigilância/identificação de HOCIs e nível de implementação desses sistemas.

Quais os principais resultados?

Os autores identificaram um total de 292 citações, dentre as quais foram incluídos 9 estudos sobre vigilância de HOCIs.

6 estudos relataram a proporção de HOCIs entre pacientes com COVID-19 hospitalizados – que vario de 0 a 15.2%. 6 estudos forneceram definições de HOCIs – sendo que foram utilizadas definições nacionais padronizadas fornecidas peplos governos do Reino Unido e dos Estados Unidos.  4 estudos incluíram profissionais de saúde na vigilância e 1 estudo articulou uma estratégia multimodal de prevenção e controle de infecção.

Todos os sistemas de vigilância identificados foram implementados em nível institucional, com 8 estudos enfocando todos os pacientes internados na estrutura e 1 enfocando apenas os pacientes no departamento de emergência. Por fim, 4 estudos relataram vigilância automatizada, dos quais 1 incluiu análise em tempo real e 1 incluiu dados genômicos.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Os autores concluem que a vigilância de HOCIs será um componente essencial na recuperação da pandemia, sendo que a vigilância proativa e em tempo real poderá fornecer dados preciosos. Tratando-se da situação no momento de elaboração da revisão, concluem que as definições de caso e métodos de vigilância foram desenvolvidas pragmaticamente e defendem que estabelecer uma estratégia de vigilância robusta permitira a avaliação e implementação de estratégias eficazes de controle e prevenção de infecção.

Os pesquisadores reconhecem, porém, que apesar de o desenvolvimento de padrões baseados em evidências seja ideal, levando em conta a variabilidade de ambientes e recursos, existe uma notável dificuldade no estabelecimento de padrões a curto prazo. Sendo assim, sugerem que a curto prazo tais determinações dependerão principalmente do consenso de especialistas.

Quais as limitações do estudo?

No geral, a qualidade do estudo foi limitada pela natureza observacional com curtos períodos de acompanhamento. Os autores ressaltam duas principais limitações: a primeira é o fato de que a vigilância local de HOCIs depende de sistemas pré-estabelecidos, de forma que algumas características desses sistemas podem não ter sido capturadas adequadamente devido à natureza sistemática do estudo e também algumas instituições sem sistemas pré-estabelecidos podem não ter recursos suficientes para o desenvolvimento de tais sistemas durante o cenário pandêmico; além disso, a estratégia de busca não incluiu relatórios de surtos pois presumivelmente estes focariam mais nas estratégias de gerenciamento de surto do que no sistema de vigilância em si.

Que críticas e observações?

Estudo muito bem estruturado e que cumpre sua proposta. Esta revisão sistemática é um ótimo exemplo da importância de, mesmo durante períodos de incerteza e desenvolvimento de uma pandemia, buscar padronizar práticas de controle e prevenção de infecção. Mesmo quando o desenvolvimento de práticas padronizadas parece difícil de ser realizado é fundamental unir os esforços dentro do ambiente de saúde pois a prevenção e controle de infecção é fundamental para a redução da morbidade e mortalidade no ambiente de cuidados a saúde, tanto para os profissionais quanto para os pacientes.

Fonte: Abbas M, Zhu NJ, Mookerjee S, Bolt F, Otter JA, Holmes AH, Price JR. Hospital-onset COVID-19 infection surveillance systems: a systematic review. J Hosp Infect. 2021 Sep;115:44-50

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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