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Enfermeiros que atuam em unidades Covid-19 apresentam maior risco de adquirir esta patologia que os que não atuam nessa unidade? Este artigo procura responder as seguintes questões:

Estudos prévios indicam maior risco ocupacional nas unidades Covid?

Como os autores buscaram esclarecer essa dúvida?

Que informações foram utilizadas para estudar esse risco ocupacional?

A diferença de acometimento é estatisticamente maior nas unidades Covid?

A conclusão deste estudo é definitiva sobre o risco em unidades Covid?

Qual a impressão final sobre este artigo sobre o risco ocupacional em unidades Covid?

Que recomendações podemos concluir deste estudo?

 

Estudos prévios indicam maior risco ocupacional nas unidades Covid?

Alguns estudos prévios buscaram comparar a prevalência de seropositividade por SARS-CoV-2 e/ou de incidência de COVID-19 entre profissionais de saúde com base no grau de exposição destes a pacientes de COVID-19, porém os dados obtidos apresentam resultados conflitantes.

Como os autores buscaram esclarecer essa dúvida?

O estudo teve como objetivo caracterizar longitudinalmente a incidência de infecções por SARS-COV-2 entre enfermeiros trabalhando em unidades COVID-19 versus unidades não COVID-19 durante o primeiro ano de pandemia.

Que informações foram utilizadas para estudar esse risco ocupacional?

Foi realizado um estudo longitudinal observacional em um hospital acadêmico de 607 leitos nos EUA.

Utilizando o banco de dados dos funcionários foram identificados todos os enfermeiros que testaram positivo – independente de sintomas – para COVID-19 entre 20 de março de 2020 e 28 de março de 2021. Os dados obtidos foram: nome do profissional, especialidade, unidade de referimento no hospital, data, e resultado do teste de COVID-19. Para garantir a maior estabilidade possível dentro da própria unidade foram incluídos apenas enfermeiros de alas de internação.

Para este estudo, as taxas de SARS-CoV-2 foram definidas como a porcentagem de enfermeiros positivos para um total de 100 enfermeiros ativos por unidade por mês. Para comparar as taxas de incidência entre unidades COVID-19 e unidades não COVID-19 por mês, os pesquisadores utilizaram o teste exato de Fischer para cada mês e ajustaram para testagem múltipla.

A diferença de acometimento é estatisticamente maior nas unidades Covid?

No total foram identificados 375 enfermeiros em alas de internação; dentre estes 79 tiveram um teste positivo para SARS-COV-2 em unidades COVID-19 (taxa de incidência de 29.7:100) em comparação a 296 em unidades não COVID-19 ( taxa de incidência de 22.9:100).

Durante o período de estudo foram identificado dois meses em que a taxa de incidência de SARS-CoV-2 foi maior entre os enfermeiros designados a unidades COVID-19 do que aqueles das unidades não COVID-19: abril de 2020 e julho de 2020. Porém, considerando p até 0,05, a diferença entre a taxa de incidência em unidades COVID-19 e unidades não COVID-19 foi estatisticamente significativa apenas em abril de 2020.

A conclusão deste estudo é definitiva sobre o risco em unidades Covid?

Os autores ressaltam algumas limitações do estudo. Primeiramente destacam falta de dados demográficos, comorbidades, e presença/tipo de sintomas entre a equipe de enfermagem.  Além disso, a positividade para SARS-CoV-2 foi baseada exclusivamente em dados autorrelatados (pelo profissional ou supervisor).

Os pesquisadores elucidam ainda que número de dias de enfermagem teria sido o denominador ideal, mas infelizmente esses dados não estavam disponíveis; apesar dessa limitação, sugerem que questões relacionadas aos denominadores subótimos podem ter sido equilibradas nos 2 grupos.  Outro dado não disponível foi de adesão relacionados às medidas de controle de infecção adotadas durante a pandemia.  Por fim, os resultados representam uma experiência de centro único, portanto, é necessário cautela ao generalizar esses dados para outras configurações.

Qual a impressão final sobre este artigo sobre o risco ocupacional em unidades Covid?

Neste estudo observacional, a incidência de positividade para SARS-CoV-2 entre enfermeiros designados para unidades COVID-19 foi notavelmente semelhante a unidades não COVID-19, exceto durante abril de 2020.

Notavelmente, durante os meses de outono com maior incidência de COVID-19 na comunidade, a taxa de incidência de SARS-CoV-2 entre enfermeiros foi a mesma, independentemente de sua unidade, sugerindo exposições comunitárias em vez de exposições hospitalares.

Neste estudo a taxa de incidência de SARS-CoV-2 entre enfermeiros foi a mesma em unidades COVID-19 e em unidades não COVID-19 após a implementação de mascaramento universal e proteção ocular.  Os autores consideram esse achado encorajador, pois indica que o sistema hospitalar em questão é capaz de proteger seu pessoal enquanto estes prestam assistência à população de COVID-19 por meio da implementação de recomendações de controle de infecção.

Que recomendações podemos concluir deste estudo?

Os pesquisadores realizaram uma boa extrapolação considerando a limitação dos dados disponíveis. Estudos unicentricos e com limitações como este podem ser um bom ponto de partida para a elaboração de estudos futuros ou análise situacional da instituição em questão.

Como ressaltado pelos autores, é necessário cautela para generalizar os dados para outras configurações .

Podemos ressaltar a honestidade dos autores ao descrever os fatores limitantes do estudo e o impacto da atuação do controle de infecção no não aumento do risco de Covid nas unidades específicas.

Fonte: Rivera F, et al. (2022). Incidence rate of severe acute respiratory coronavirus virus 2 (SARS-CoV-2) among nurses in coronavirus disease 2019 (COVID-19) units versus non–COVID-19-units at a large academic medical center. Infection Control & Hospital Epidemiology, 43: 257–259

Sinopse por: Maria Julia Ricci

Email: [email protected]

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Palavras Chave / TAGs: Covid-19, saúde ocupacional, enfermagem, risco ocupacional, unidade Covid, covidário, controle de infecção

Link:

https://www.cambridge.org/core/journals/infection-control-and-hospital-epidemiology/article/abs/incidence-rate-of-severe-acute-respiratory-coronavirus-virus-2-sarscov2-among-nurses-in-coronavirus-disease-2019-covid19-units-versus-noncovid19units-at-a-large-academic-medical-center/55032A2ABDE1180A5987EFFA6933130B

https://academic.oup.com/aje/article/190/1/161/5900120?login=true



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