Inscreva-se já.

A limpeza das mãos com higienizante a base de álcool considerado o método mais eficiente para evitar a contaminação cruzada de patógenos por meio do toque. O principal objetivo do estudo foi investigar as determinantes para a higiene adequada das mãos por parte de pessoas leigas em ambientes de cuidados de saúde.

Qual a justificativa do estudo?

A higiene das mãos é um dos componentes elementares das estratégias de prevenção de infecção, sendo a limpeza das mãos com higienizante a base de álcool considerado o método mais eficiente para evitar a contaminação cruzada de patógenos por meio do toque. Reduzir a transmissão de bactérias e vírus é especialmente importante em unidades de cuidado a saúde, já que acomodam pessoas mais vulneráveis a infecções, contudo a higiene das mãos continua a ser um desafio global.

Uma quantidade crescente de evidências mostra que as intervenções de mudança de comportamento baseadas em teoria são mais eficazes em criar efeitos positivos que durem no tempo. Sendo assim, segundo os autores, uma melhor compreensão dos facilitadores e barreiras do comportamento de higienização das mãos no ambiente hospitalar a partir de uma perspectiva teórica pode ajudar a projetar intervenções eficazes.

Qual o objetivo do estudo?

O principal objetivo do estudo foi investigar as determinantes para a higiene adequada das mãos por parte de pessoas leigas em ambientes de cuidados de saúde. Visou também encontrar um modelo teórico adequado para explicar as práticas de higiene das mãos realizadas pelos visitantes das estruturas em questão.

Qual metodologia foi empregada?

Foi realizado um estudo transversal para investigar as explicações para o uso ou não-uso do higienizante de mãos por parte de visitantes entrevistados em 3 hospitais da Alemanha. Foram coletadas explicações escritas de 838 indivíduos, que foram observados por assistentes de pesquisa treinados no hall de entrada dos hospitais; a observação teve como objetivo registrar a higienização ou não das mãos por parte desses visitantes. Dados foram coletados de Dezembro de 2017 a Novembro de 2019.

As explicações dadas pelos visitantes foram codificadas de acordo com 3 modelos teóricos: teoria do comportamento planejado (Theory of Planned Behaviour – TPB), abordagem e processo de ação em saúde (Health Action and Process Approach – HAPA) e estrutura de domínios teóricos (Theoretical Domains Framework – TDF).

Quais os principais resultados?

Dos 838 questionários completos analisados, 73.5% dos participantes não tinham experiencia passada com HAIs (infecções relacionadas aos cuidados a saúde) e apenas 28.3% afirmaram que o paciente que visitavam tinha risco aumentado de infecção (entre os demais 14.8% não tinha certeza e 53.7% afirmaram que não).

Observou-se que o comportamento de higiene das mãos auto reportado foi diferente daquele observado pelos pesquisadores; sendo que 15.75% da população de estudo declarou haver higienizado as mãos quando o ato não ocorreu.

Foram identificados como facilitadores para a higiene das mãos: a atitude em relação ao comportamento, a norma subjetiva, as expectativas do resultado, a percepção de risco, o conhecimento e habilidades, a motivação e objetivos, e as influências sociais. Como principais barreiras foram identificados: o controle comportamental percebido, as barreiras e recursos, a memória, atenção e processos de decisão, e o contexto ambiental.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Os autores concluem que o comportamento de higiene das mãos auto reportado pelos visitantes é sobre reportado. Levando em consideração que o ato de higiene das mãos é moralmente carregado e, portanto, leva os respondentes a darem uma resposta socialmente desejável, concluem que confiar no autorrelato para medir o comportamento dos visitantes não é ideal.

Os autores veem tanto o modelo HAPA quando o TDF como modelos teóricos adequados para explicar as práticas de higiene das mãos dos visitantes. A tendencia das explicações foi diversa entre o grupo de utilizadores versus não-utilizadores. Os utilizadores focalizaram suas motivações na consciência de serem um potencial fator de risco de transmissão; já os não-utilizadores focalizaram suas motivações no ambiente hospitalar ou contexto situacional que impediu a higienização. A tendencia observada em ambos os grupos foi de atribuir razoes para o comportamento de modo a contribuir para uma autoimagem positiva.

Por fim, os pesquisadores recomendam que intervenções futuras para mudança de comportamento devem focar na visibilidade/acessibilidade dos produtos para higienização das mãos, na informação da população leiga sobre o próprio papel na prevenção de infecção, e no alavancamento de processos de influência social.

Quais as limitações do estudo?

São delineadas algumas limitações principais: alguns componentes da TDF se sobrepõem, de forma que os autores codificaram as explicações em ambos os construtos o que consequentemente aumenta o risco de multi colinearidade; as explicações para o uso ou não uso tendem a ser curtas, pouco detalhadas e em alguns casos ambíguas, o que foi um desafio a mais na codificação das respostas; a pesquisa foi realizada no período pré covid-19 de forma que hoje o comportamento dos visitantes pode ser radicalmente diverso; por fim, foram coletadas respostas após a higienização (ou não) das mãos, de forma que as respostas podem ser uma racionalização post hoc das ações.

Que críticas e observações?

Os autores expõem ótimas justificativas para a escolha das teorias comportamentais adotadas, demonstrando notável embasamento teórico-científico. A aplicação das técnicas escolhidas é clara e bem realizada. Este estudo é um ótimo exemplo de como teorias comportamentais podem auxiliar na tomada de decisões para intervenções eficazes no âmbito de saúde.

Fonte: Gaube S, Schneider-Brachert W, Holzmann T, Fischer P, Lermer E. Utilizing behavioral theories to explain hospital visitors’ observed hand hygiene behavior. Am J Infect Control. 2021 Jul;49(7):912-918

Sinopse por: Maria Julia Ricci

E-mail: [email protected]

Linkedin: www.lunkedin.com/in/mariajuliaricci

Instagram: @mariajuliaricci_



Ficou interessado? Conheça nossos cursos MBA's e Express