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Infecções de sítio cirúrgico (SSI) representam uma das mais frequentes infecções relacionadas a cuidados de saúde (HAIs) no âmbito de cuidados intensivos. Vários estudos já concluíram que a pressão devido ao curto tempo disponível e desorganização associadas com os cuidados de emergência são fatores de risco para a segurança do paciente. O estudo teve como objetivo investigar se a urgência dos procedimentos foi significativamente associada com a ocorrência de SSIs e determinar se a coleta dessa variável forneceu informações adicionais uteis para a vigilância de SSIs.

Qual a justificativa do estudo?

Infecções de sítio cirúrgico (SSI) representam uma das mais frequentes infecções relacionadas a cuidados de saúde (HAIs) no âmbito de cuidados intensivos. Vários estudos já concluíram que a pressão devido ao curto tempo disponível e desorganização associadas com os cuidados de emergência são fatores de risco para a segurança do paciente. Devido a correlação de cirurgias de urgência com outros fatores de risco para SSIs – como maior contaminação e sangramentos severos – é difícil estimar o real impacto das situações de emergência na ocorrência de SSIs.

Qual o objetivo do estudo?

O estudo teve como objetivo investigar se a urgência dos procedimentos foi significativamente associada com a ocorrência de SSIs e determinar se a coleta dessa variável forneceu informações adicionais uteis para a vigilância de SSIs.

Qual metodologia foi empregada?

Foram utilizados dados da rede nacional alemã de vigilância de infecções nosocomiais (Krankenhaus-Infektions-Surveillance-System KISS) para a realização de uma análise retrospectiva de dados. Essa base de dados foi estabelecida em 1990 e compreende módulos distintos com foco em tipos diferentes de infecções e populações de pacientes; para cada procedimento são coletados dados relacionados ao paciente (como idade e sexo), ao procedimento (como duração, classe de contaminação da ferida, score segundo a classificação da Associação Americana de Anestesiologistas, abordagem cirúrgica) e a presença ou não de SSI.

Para este estudo, foram analisados dados de seções cesarianas e cirurgias de colón realizadas entre 2017 e 2019 dentro da rede KISS. Foram consideras ISS aquelas que ocorreram até 30 dias após o procedimento. Foram aplicados modelos de regressão logística multivariados para determinar a influência da urgência na ocorrência da SSI.

Quais os principais resultados?

Um total de 115.648 procedimentos de 281 departamentos cirúrgicos em 250 hospitais foram incluídos na análise: 78.288 cesáreas e 37.360 (23.070 abertas e 14.290 laparoscópicas) cirurgias de colón. De todos os procedimentos incluídos 61% (n=70.145) foram eletivos, 26% (n=29.691) de urgência e 14% (n=15.812) não foram especificados.

Para as cirurgias cesáreas a taxa de SSI por 100 procedimentos foi de 0,98 para procedimentos de urgência versus 0,46 para procedimentos eletivos. Para as cirurgias de colón realizadas com uma abordagem aberta a taxa foi de 9,66 para procedimentos de urgência versus 8,60 para procedimentos eletivos. Para as cirurgias de colón laparoscópicas realizadas com abordagem laparoscópica não houve diferença significativa nas taxas.

As diferentes análises de regressão logística multivariável produziram resultados diversos no que diz respeito à influência da urgência na ocorrência de SSIs; a única que revelou a urgência como fator que aumentou significativamente a probabilidade de ocorrência de SSIs foi em relação as cesarianas. A análise agrupada, i.e. levando em conta todos os procedimentos incluídos, a urgência não demonstrou associação significativa com a ocorrência de SSIs enquanto o tipo de procedimento sim.

Quais as conclusões e recomendações finais?

A urgência do procedimento aumentou significativamente o risco de SSIs em cesarianas, mas não em cirurgias de colón. Sendo assim, os autores sugerem que a coleção dessa variável – do caráter emergencial de cirurgias cesarianas – seja útil para a vigilância de SSIs após cesarianas.

Já para as cirurgias de colón pode ser dispensável; os autores citam a publicação de Watanabe et al. que identificou elevado WCC (classe de contaminação da ferida) e obesidade como os principais fatores de riscos para a ocorrência de SSIs após cirurgias emergências do colón.  Os autores recomendam que analises futuras sobre o assunto devem, portanto, focar em outros tipos de procedimentos.

Os autores ressaltam também que a cirurgia de emergência muitas vezes esta correlacionada a outros fatores de risco conhecidos para a ocorrência de SSIs, o que torna difícil determinar se as taxas mais altas de SSIs em procedimentos de urgência são devidas a urgência em si ou a outros fatores associados.

Quais as limitações do estudo?

Os autores ressaltam algumas limitações, entre as quais:

– caráter voluntario de participação na KISS – apesar da obrigatoriedade em caráter legal da realização da vigilância de HAIs na Alemanha a participação na base de dados KISS é voluntaria;

– heterogeneidade entre os coletores de dados pode ser um fator confundidor;

– dados limitados sobre o paciente e as comorbidades – fator que limitou o número de parâmetros passiveis de investigação e incluídos nas análises multivariadas;

– cesarianas e cirurgias de colón eram as únicas tipologias de cirurgia para qual a variável urgência foi coletada, fator que limitou o estudo a apenas esses procedimentos.

Que críticas e observações?

O estudo é muito bem embasado teoricamente e a metodologia é clara e bem aplicada. Este estudo elucida a importância da utilização ativa e crítica de bases de dados para a melhoria da ciência, dos cuidados em saúde e de práticas preventivas.

Fonte: Aghdassi SJS, Schröder C, Gastmeier P. Urgency of surgery as an indicator for the occurrence of surgical site infections: data from over 100,000 surgical procedures. J Hosp Infect. 2021 Apr;110:1-6.

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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