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A utilização insuficiente da teoria comportamental para entender os motivos e o grau de adesão e dos trabalhadores de saúde à higiene das mãos pode resultar no baixo nível de novas intervenções e reduzida eficácia das intervenções existentes. Este estudo observava a não adesão á higiene das mãos e gravava depoimentos dos profissionais sobre o por que desta inadequação. Foram analisadas as declarações de não adesão usando uma estrutura teórica comportamental, para compreender sua não aderência e informar corretamente esses profissionais sobre futuras intervenções.

Métodos: Os profissionais de saúde foram diretamente observados e foi pedido para que explicassem os episódios de descumprimento em “tempo real” da técnica de higienização das mãos. As explicações foram gravadas, codificadas em 12 domínios comportamentais, utilizando a Teoria dos Domínios e divididas em temas.

A teoria dos domínios foi utilizada e validada previamente para compreender a aderência dos profissionais de saúde às recomendações preconizadas. Ela emprega 12 domínios teóricos, baseados nas teorias psicológicas que focam as inadequações observadas na prática profissional em relação as medidas baseadas em evidencias científicas, procurando entender o que motivou a não observância do recomendado.

Resultados:  Foram observadas 185 inadequações e os  principais domínios encontrados foram: “memória / atenção / tomada de decisão” (42%), “conhecimento” (26%), recursos / contexto ambiental (9%).  As principais “justificativas” apresentadas foram: “não lembraram de realizar a higiene das mãos naquela atividade na qual sabia ser importante fazer (40 respostas); “não perceberam que não lavaram as mãos” (29 respostas); “foram interrompidos por outra demanda antes de higiene das mãos “ (23 respostas); “não necessidade da higiene das mãos, se utilizam luvas” (18 respostas);  “não saberem que higiene das mãos era necessária após contato com superfícies próximas aos pacientes” (17 respostas);  “estarem sobrecarregados de trabalho, sem tempo para higiene das mãos” (15 respostas); “não sabiam que era necessária naquele momento” (13 respostas); “não saber que a higiene das mãos está indicada após qualquer contato com o paciente” (8 respostas); “falta de pia, sabonete, papel toalha ou álcool gel” (4 respostas).

O descumprimento na técnica de higienização das mãos dos profissionais de saúde foi atribuída na maior parte pelo domínio “Memória / Atenção / Tomada de Decisão” e “Conhecimento”. O que deve-se levar em conta que o profissional de saúde tem o conhecimento sobre a técnica e o descumprimento da mesma trata-se de um processo de tomada de decisão pessoal em não aplicar a mesma, visto que eles conseguem dizer como seria a técnica correta.

Nosso comentário: Finalmente começam a ser empregados novos desenhos de estudo para se aprofundar nos aspectos comportamentais que levam à não realização dos procedimentos básicos para prevenção e controle de infecção. Nossa pós graduação, de forma pioneira, aborda com bastante ênfase estes aspectos que, na minha opinião, será o futuro do controle de infecção. A capacidade dos microrganismos reagirem aos nosso antibióticos estamos cansados de conhecer e documentarmos que esta batalha está sendo perdida. A nosso última esperança é conhecer os determinantes do comportamento humano que disseminam estes microrganismos, para nisso forcarmos nossa ação.

 

Fonte: American Journal of Infection Control 42 (2014) 106-10.

 

Resenha por: Thalita Gomes do Carmo e Antonio Tadeu Fernandes.



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